Brasília - A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados hoje é a mais disputada da história da instituição: nada menos do que 10 deputados registraram suas candidaturas, o que praticamente garante um segundo turno. Três candidatos despontam como favoritos a disputar o segundo turno:
José Thomaz Nonô (PFL-AL), Michel Temer (PMDB-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP), este último com o apoio explícito do Palácio do Planalto e de boa parte do PT. O primeiro turno está marcado para às 10 horas e o segundo, às 18h.
As inscrições do deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL), e do presidente do PMDB, Michel Temer (SP) aconteceram ao mesmo tempo: a menos de uma hora para o encerramento do prazo (18 horas de ontem).
As tentativas do governo de compor uma aliança da base aliada em torno do ex-ministro Aldo Rebelo (PCdoB-SP) não surtiram efeito, pelo menos para o primeiro turno. Já o oposicionista Nonô ganhou o apoio do PDT, PV, PPS e PSDB. Além dos três, disputarão a vaga deixada por Severino Cavalcanti os colegas dele no PP Francisco Dornelles (RJ), Ciro Nogueira (PI), Jair Bolsonaro (RJ) e Vanderley Assis (SP). Pelo PTB concorrerá Luiz Antônio Fleury Filho (SP). O gaúcho Alceu Collares disputará pelo PDT. O PL, partido do vice-presidente José Alencar, lançou o nome do alagoano João Caldas.
O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), registrou sua candidatura à presidência da Câmara mas não descartou a possibilidade de renunciar à corrida sucessória em favor do primeiro vice-presidente da Casa, José Thomaz Nonô (PFL-AL). Segundo um importante articulador da campanha de Temer, não foi à toa que ele e o pefelista registraram em dupla suas candidaturas. Além de trocarem elogios e um abraço caloroso, eles acertaram, aos cochichos, uma nova conversa para tratar de sucessão.
Temer passou o dia em campanha, na tentativa de costurar uma candidatura de consenso com o PL, o PP e o PTB. No encontro que tivera com o candidato do PTB, Luiz Antonio Fleury Filho (SP), no fim da noite de segunda-feira, o próprio petebista acenara com o desejo de aliar-se a ele, incomodado com a vinculação de seu nome à uma candidatura dos três partidos do mensalão.
A articulação acabou atropelada pela forte ofensiva do Palácio do Planalto sobre o PTB e o PL, em favor de seu candidato Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A bancada do PL desistiu da candidatura própria à presidência da Câmara e decidiu apoiar o candidato oficial, Aldo Rebelo (PC do B-SP). A decisão do PL, bancada de 45 deputados, eleva de três para quatro o número de partidos que apóiam o governista na disputa - PL, PT, PSB e PCdoB. Juntas, as legendas somam 162 votos, mas não há garantia que todos os parlamentares votem unidos. O convencimento passou pela garantia da liberação do orçamento do Ministério dos Transportes, chefiado por Alfredo Nascimento, indicado pelo PL.

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