Edson MazzettoSalazar e Bueno, lado a lado, acompanham a recontagemA recontagem de 28 urnas das eleições de 1996 para prefeito, ontem em Cascavel, praticamente confirmou os números que deram vitória ao prefeito Salazar Barreiros (PPB). Na época, Salazar teve vantagem nas urnas recontadas de 151 votos (0,15%), em um colégio eleitoral que tinha 138.568 inscritos, dos quais 107.006 votaram. Mas o deputado estadual Edgar Bueno (PDT), adversário do prefeito eleito, apontou possibilidade de irregularidades em uma das urnas. Bueno acreditava que se as irregularidades fossem confirmadas, o resultado das eleições seria outro.
A recontagem, determinada pelo Supremo Tribunal Eleitoral a pedido de Bueno, foi iniciada às 9h30, com uma hora de atraso, e deveria estar concluída às 13 horas. Mas prosseguiu até a noite por causa de recursos contínuos das partes, em cada urna. A última totalização oficial, em 26 urnas, indicava que Bueno havia aumentado em apenas 1 os 42.316 votos que ele recebeu em 96 e Salazar tinha aumentado a vantagem em mais três votos, em relação ao total de 42.464 votos de 96.
A maior confusão se estabeleceu no momento da recontagem dos votos da seção 21, da localidade de Colônia Melissa. É que os resultados da seção foram diferentes de todas as demais: Salazar fez 198 votos e Bueno apenas 41. Não foi apurado na seção nenhum voto em branco. Na recontagem, Salazar subiu para 199, mas fiscais de Bueno apontaram a existência, nos mapas, de assinaturas de votantes que teriam sido feitas por uma só pessoa. ‘‘É grosseira esta fraude’’, disse Bueno.
Outra irregularidade apontada foi a de que a mesa que recebeu os votos foi composta por pessoas de uma mesma família, o que é proibido pela legislação. Advogados de Salazar e de Bueno divergem quanto à interpretação da legislação. Os primeiros afirmam que a impugnação dos mesários teria que ocorrer no máximo até o dia da votação, por isso hoje estaria caracterizado ‘‘direito precluso’’ - não mais reivindicável.
O advogado José Alberto Dietrich, presidente do PDT local, acha que a questão é discutível e além assegura que, quanto às assinaturas, a perícia ‘‘deverá comprovar as irregularidades’’. A discussão dificilmente se encerrará na instância local e deverá ser levada aos tribunais. Bueno e seus representantes imaginam ser possível pedir a anulação completa dos votos da seção, o que tiraria a vantagem de 158 votos nela obtida por Salazar e automaticamente daria a vitória a ele.

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