Curitiba - O presidente da Petrobras, Paulo Pullen Parente, disse ontem, durante a cerimônia que marcou a devolução de R$ 204 milhões recuperados pela Lava Jato, em Curitiba, que a empresa é uma vítima do megaescândalo de corrupção, investigado há dois anos e meio pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo ele, a petrolífera foi prejudicada por crimes cometidos por uma minoria desonesta e criminosa. "Esses atos ilícitos afetaram moralmente milhares de trabalhadores honestos, íntegros e competentes. Afetaram a imagem da maior companhia do Brasil. Reconstruir a credibilidade da Petrobras gera tempo, mas a liderança da empresa está 100% comprometida com esse propósito", destacou.
Parente contou que os mais R$ 500 milhões transferidos no âmbito da operação até agora equivalem a 8% dos R$ 6,2 bilhões de prejuízos registrados pela Petrobras no balanço de 2014. Informou ainda que a dívida da companhia cresceu de 21 bilhões de dólares em 2006 para 132 bilhões de dólares em 2015. "Trata-se da maior dívida corporativa do Brasil, a maior do setor do petróleo em todo o mundo e a segunda maior do continente americano." Os valores ressarcidos, completou, entraram imediatamente no caixa da empresa e serão usados para pagar parte dos débitos, a começar pelos mais altos.
"O valor desse gesto de hoje [ontem] não está apenas nos milhões que a companhia recupera, mas na mensagem de que ninguém está acima da lei. Precisamos persistir na luta contra a impunidade", comentou. Também conforme o presidente, a estatal é assistente de acusação em todas as ações penais e seguirá colaborando com a Lava Jato. "São exatamente 30 processos contra ex-administradores, executivos de empreiteiras, fornecedores, operadores financeiros e políticos. Nesses processos já estão fixadas multas de pelo menos R$ 720 milhões. A Petrobras vai continuar ao lado do MPF e das demais instituições."
Conforme o dirigente, uma série de medidas visando a melhoria do controle interno e da governança já foi implementada. "Em setembro divulgamos nosso plano de negócios de gestão com 21 estratégias das quais duas eu gostaria de destacar aqui: nosso compromisso em fortalecer o controle interno e a governança, assegurando transparência e eficácia no sistema de prevenção e combate a desvios, sem prejuízo da agilidade da tomada de decisão; e resgatar a credibilidade e fortalecer a relação e a reputação da Petrobras junto a todos os públicos de interesse, incluindo os órgãos de controle e supervisão da empresa." (M.F.R.)

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