A chegada de Lerner ao Paraná foi cercada de intrigas entre seus aliados e serviu para reacender as disputas políticas internas. O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), aproveitou o momento para voltar a defender a manutenção da vice-governadora Emília Belinati (PTB) na mesma posição no ‘chapão’. ‘‘A chapa da reeleição não pode ser rompida’’, justificou Greca, que quer ser o indicado do grupo ao Senado.
Emília anunciou que nunca esteve tão disposta a concorrer à vaga. ‘‘Uma pesquisa de opinião é a melhor forma para definir quem deve ser o candidato. No interior não há dúvidas de que o meu nome é o mais forte’’, reagiu. A vice disse que o retorno de Lerner ajudará a acelerar o processo de escolha. Além dela e de Greca, o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), também costura sua indicação.
O pedido de demissão de Hermas Brandão (PTB) da Secretaria da Agricultura trouxe inquietação, que se agravou ainda mais entre os ‘lerneristas’, ontem. Apontado como um dos principais beneficiários com o afastamento do ex-secretário do governo - Brandão era um dos cotados para ocupar o lugar de Emília como vice na chapa -, Greca negou que tenha tentado prejudicá-lo.
‘‘A oposição está querendo pôr em meus lábios denúncias que não são minhas. É grave injustiça o que estão fazendo contra mim. Os fatos contra o secretário foram apresentados no Senado’’, disse Greca, numa referência ao vazamento das investigações, feito pelo senador Requião, sobre desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade, coordenadas pela Câmara e Ministério Público de Faxinal, região do Vale do Ivaí.
O presidente do PTB e secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, aproveitou para reclamar ao partido o direito de indicar o sucessor de Brandão. ‘‘A vaga era nossa e temos direito, apesar de sabermos que a palavra final é do governador’’, aliviou. Justus não revela nomes, mas confirma que será apresentado mais de um. Dois já vazaram: o do ex-presidente da Copavel Ibraim Fayad (sem partido) e o do presidente da Codapar, Antonio Leonel Polloni (PTB).
O remanejamento do presidente do Banestado, Manoel (Neco) Garcia Cid, para a função seria a alternativa que mais agradaria ao governador. Ele chegou ontem anunciando que fará a substituição de Brandão o mais rápido possível, mas não quis citar nomes nem confirmou se o remanejamento de Neco é a sua vontade ou não. ‘‘Vou me reunir com todos os aliados e vamos analisar esse episódio (o caso Faxinal), que para mim é assunto superado’’, assinalou. (L.D.)

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