Brasília - Os onze processos de cassação de deputados envolvidos no escândalo do ''mensalão'' que são analisados pelo Conselho de Ética da Câmara deverão ser suspensos nos próximos dois meses, prejudicando ainda mais um cronograma já bastante atrasado. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), anunciou ontem que nada será votado até pelo menos fevereiro. Ele justificou que não haveria prazo para que os casos pudessem ser referendados pelo plenário da Casa, que é quem dá a última palavra. O conselho corre sério risco de nem mesmo funcionar para tomar depoimentos de testemunhas e acusados em janeiro e fevereiro, data em que o Congresso não funciona.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), tende a respeitar o recesso parlamentar e a desistir da alteração regimental para permitir que o conselho continue funcionando durante o período, mesmo sem convocação extraordinária. Aldo pediu a sua assessoria um estudo para evitar o pagamento de R$ 25.694,40 (equivalente a dois salários extras) a cada um dos 594 parlamentares, o que, na sua opinião, traria enorme desgaste para uma Câmara já combalida. Uma hipótese é a Casa revogar um decreto legislativo de 1995 que determina o pagamento de verba extra aos parlamentares nas convocações.
''É melhor não funcionar nada do que pagar para apenas o conselho trabalhar'', declarou Aldo. Com isso, apenas o caso do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), já analisado pelo conselho, que pediu sua cassação, deverá ser finalizado este ano. Sua votação pelo plenário está marcada para a próxima quarta-feira.
Agora, ficarão faltando 11 processos de deputados envolvidos no ''mensalão''. É provável que o último deles só seja resolvido no final do primeiro semestre de 2006, com a crise política invadindo de vez o ano eleitoral. A avaliação generalizada na Câmara é que o adiamento para o ano que vem beneficia os deputados ameaçados, pois a pressão da opinião pública tende a esfriar. Não por acaso, a bancada governista é contra a convocação. Um problema já identificado pela assessoria de Aldo de deixar o conselho funcionando enquanto o resto da Câmara tira folga seria a impossibilidade de deputados processados apresentarem recursos à Comissão de Constituição e Justiça ou ao plenário - uma vez que essas instâncias não estarão trabalhando. Além disso, há um problema conceitual: estarão sendo mudadas as regras no meio do processo, o que pode levar a contestações judiciais, algo que Aldo, após a batalha judicial para cassar José Dirceu (PT-SP), quer evitar.
Dos 19 deputados acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, quatro renunciaram (Valdemar Costa Neto, Paulo Rocha, José Borba e Carlos Rodrigues), dois foram cassados (Roberto Jefferson e José Dirceu) e um foi absolvido (Sandro Mabel). Os onze processos que devem ficar para o próximo ano são dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP), João Magno (PT-MG), José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Vadão Gomes (PP-SP) e Wanderval Santos (PL-SP).

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