Curitiba Mesmo durante o recesso parlamentar, quando a maioria dos deputados fica em suas bases eleitorais, o assistencialismo continua nos gabinetes da Assembléia Legislativa. Os funcionários atendem pessoas que vão pedir desde cadeiras de rodas, dinheiro, passagens, remédios, emprego até dentaduras e óculos, entre outras solicitações. Nem todos conseguem o que querem.
Cada um dos 54 gabinetes de deputados tem direito a receber, por mês, R$ 50 mil para funcionar. Esse dinheiro é usado para pagar assessores e ressarcir despesas com combustível, correio, viagens. Além dos pedidos, vendedores ambulantes frequentam a Casa. Eles vendem doces, salgados e até artigos de crochê. Costumam entrar sem se identificar na portaria da Assembléia, o que já fez com que a direção do Poder Legislativo cogitasse, no ano passado, a instalação de um sistema de identificação e segurança na portaria. Mas ainda não há uma definição.
Como em janeiro muitos funcionários dos gabinetes estão de férias, a movimentação de vendedores cai bastante. Mas os pedidos de ajuda continuam. A dona de casa Meire da Silva, de 40 anos, percorria os gabinetes de vários deputados em busca de material escolar para seus dois filhos. ''Como meu marido ganha pouco, não sobrou nada para o material escolar. Então a gente vai pedindo papel sulfite, caneta, cartolina, enfim, o que puder ser dado para que os meninos possam ir pra escola'', explicou Meire.
A dona de casa nunca havia ido à Assembléia antes, mas garante que a ajuda dada não irá influenciar em seu voto. ''São tantos os deputados que nem tenho como lembrar o nome dos que dão e dos que não dão. Mas acho importante que os deputados façam esse trabalho de ajudar os mais pobres'', afirmou.
Pensionista do Estado devido a uma doença incurável, Gilda Teixeira, 33 anos, costuma ir à Assembléia quando precisa de ajuda. Ontem ela frequentava a Casa em busca de material escolar, mas já buscou outros benefícios. ''Às vezes é uma consulta médica que não tenho como pagar, às vezes falta dinheiro em casa. Aí vou andando, de gabinete em gabinete'', comentou. Segundo ela, alguns deputados são mais dados ao assistencialismo. ''Alguns dão mais, outros nunca dão. Sempre consigo alguma coisa com o (líder do governo) Angelo Vanhoni (PT) e com o Renato Gaúcho (PDT)'', afirmou.
Segundo o chefe de gabinete do deputado Duílio Genari (PP), Olavo Rohde, nem todos as pessoas buscam assistência em todos os gabinetes. ''No nosso caso, muitas pessoas que nos procuram são da região de Toledo, base eleitoral do deputado. O gabinete é um ponto de apoio para eles na Capital, e eles já vêm direto pra cá. As pessoas não querem saber das leis do deputado ou se ele faz discursos bonitos, mas sim se ele pode ajudar numa dificuldade mais urgente que elas têm'', diz Rohde.(Com Rodrigo Sais)

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