Recessão, terror e guerra na pauta de Davos
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Davos As incertezas da economia, as ameaças do terrorismo e o risco de uma nova guerra no Iraque serão os itens principais no cardápio de hoje do Fórum Econômico Mundial. Há um ano, o encontro anual do Fórum foi realizado excepcionalmente em Nova York. A cidade ainda estava traumatizada pelos atentados de 11 de setembro, mas empenhada em mostrar seu poder de reação. Havia sinais de recuperação na economia norte-americana. Os otimistas podiam ainda apontar o lançamento em Doha, no fim do ano anterior, como uma nova rodada de negociações comerciais. Os pessimistas apontavam a vulnerabilidade externa da economia norte-americana e o risco de que a reativação perdesse vigor em pouco tempo.
Dois dos principais participantes daquele debate estarão reunidos hoje, em Davos, para uma avaliação da economia global e de suas perspectivas. Gail Foster, vice-presidente e economista-chefe do Conference Board, era um dos analistas que apostavam numa firme recuperação da atividade nos Estados Unidos. Stephen Roach, economista chefe do banco Stanley Morgan Dean Witter, notabilizou-se nos últimos anos por suas projeções sombrias. Até aqui, ele colecionou pontos importantes. Foi um dos primeiros a afirmar que a economia norte-americana marchava para uma recessão.
O cenário internacional oferece hoje aos pessimistas alguns elementos a mais que no começo de 2002. Em primeiro lugar, há a insegurança econômica associada ao risco de uma guerra com o Iraque. A alta do preço do petróleo é apenas um dos sintomas daquela insegurança. A situação fiscal européia é outro dado novo e negativo. Governantes de três das maiores economias do bloco europeu Alemanha, França e Itália foram advertidos para que adotem medidas de ajuste. Os alemães foram os primeiros a romper o limite de um déficit orçamentário igual a 3% do PIB. Se quiserem atender à Comissão Européia, deverão reduzir o buraco para 2,75% do PIB em 2003. Mas o rombo é crescente.
A terceira mudança importante em relação ao quadro do ano passado ocorreu nas negociações internacionais. Há muito menos otimismo hoje quanto às possibilidades de uma rodada favorável às economias em desenvolvimento. Os europeus deixaram claro que farão concessões muito limitadas em matéria de comércio agrícola, o que dará aos norte-americanos uma desculpa evidente para também manter seus subsídios e barreiras. O debate sobre todos esses temas deverá ser recorrente nos próximos dias, com participação, no fim da semana, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus ministros.


