Recessão muda o perfil dos
financiadores de candidatos
O fim das grandes obras tocadas por governos federais e estaduais mudou o perfil dos contribuintes das caixinhas eleitorais, segundo dois veteranos participantes de campanhas, o jornalista Aristóteles Drummond e o publicitário Elísio Pires. Ambos afirmam que as empreiteiras deixaram de contribuir, e segundo Pires, o setor foi substituído pelo de empresas de transporte urbano.
‘‘O grande financiador das campanhas hoje são as empresas de ônibus’’, afirma Pires, que já trabalhou no planejamento da campanha de Fernando Collor, no primeiro turno para a presidência, e também para o deputado federal Moreira Franco (PMDB-RJ), o ex-presidente Itamar Franco, o falecido senador Nelson Carneiro e ajudou Tancredo Neves na disputa com Paulo Maluf na última eleição indireta para presidente do País. Apesar disso, ele faz questão de dizer que nunca se envolveu com a arrecadação de recursos - uma parte delicada da campanha, pelas suspeitas que provoca.
As empreiteiras deixaram de contribuir porque não têm mais o que receber em contrapartida, com o processo de enxugamento do Estado que levou os governos a deixarem de ser os grandes tocadores de obras do País. ‘‘A privatização acabou com a presença dos fornecedores tradicionais’’, explica Drummond, que costuma trabalhar na campanha do deputado federal Roberto Campos (PPB-RJ), mas também diz não envolver-se na arrecadação de verbas.
No Rio de Janeiro, as privatizações executadas pelo governador Marcello Alencar também levam seus adversários a esperar que ele use os recursos da venda de empresas como o Banerj em sua campanha à reeleição. A propabilidade de o responsável pelas privatizações - seu filho e secretário da Fazenda, Marco Aurélio Alencar - trabalhar como coordenador de sua campanha, aumenta a desconfiança.
A mudança na legislação eleitoral - que tornou legais as doações, desde que informadas pelos partidos - tornou o financiamento dos candidatos ‘‘menos hipócrita’’, na opinião de Pires. Mas não a ponto de muitas verbas serem repassadas secretamente, na avaliação do publicitário. Ele acrescenta que o Rio de Janeiro, em comparação com São Paulo e Minas Gerais, sempre teve tradição de campanhas com pouco dinheiro. A razão, o publicitário não sabe explicar - argumentando novamente que não mexe com essa parte do trabalho.(AE)

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