Recém-empossado, Lobão já lança Sarney
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sábado, 21 de julho de 2001
Das Agências De Brasília 
Com pouca visibilidade nacional, mas longa experiência política, o presidente interino do Senado, Edison Lobão, 64 anos, não faz questão de esconder: se o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) não reassumir o cargo após a licença de 60 dias, o melhor substituto será José Sarney, que tem densidade e envergadura. Lobão é do PFL e Sarney, do PMDB. Mas ambos são maranhenses e velhos aliados. Entre o seu partido (que sonha com a presidência do Senado) e o ex-presidente (cotado no PMDB), Lobão opta pelo segundo sem titubear.
O cargo de presidente não é do PFL e sim do PMDB, que é o partido majoritário do Senado, afirmou Lobão. Estou assumindo apenas em uma situação de emergência, completou, ao anunciar que submeterá ao plenário do Senado um eventual pedido de prorrogação da licença de Jader.
Questionado se o PFL saiu vitorioso com a licença de Jader, Lobão disse que o partido assumiu a presidência do Senado pelo fato dele ser vice-presidente.
O pefelista disse que o pedido de licença de Jader não surpreendeu. O pedido de licença foi um desfecho natural, resumiu. Disse ainda que irá cumprir os deveres de presidente com absoluta correção. O momento é de tensão e os líderes devem participar das deliberações do Senado, argumentou.
Lobão também está convencido de que, se o Supremo Tribunal Federal (STF) pedir licença ao Senado para processar Jader, o pedido vai passar no plenário. Se o STF solicitar licença para processar Jader, eu, como presidente do Senado, cumprirei todas as providências para que a licença seja concedida com extrema urgência, enfatizou.
Sobre medidas que o Senado poderia tomar, independente de o processo estar no STF, o senador disse: Estando sob a jurisdição do Supremo é natural que os políticos aguardem o desfecho.
Lobão lamenta o clima de terror e sente saudade do tempo em que não havia tanta acusação, tanta pressão, e tudo era mais calmo para os senadores. Mudou para pior, resumiu.
O temor do presidente interino é virar a bola da vez, depois de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF), que renunciaram aos seus mandatos, e de Jader, que se licenciou da presidência acossado por um vendaval de escândalos. Deus me livre!, disse numa rápida conversa por telefone, na sexta-feira.
O temor do senador não é infundado. Jornais, revistas e adversários já estão vasculhando o passado político do pefelista e nem sempre o que encontram é lisonjeiro. Lobão já foi apelidado de pianista depois de fotografado votando duas vezes na mesma sessão da Constituinte de 1988.
Lobão foi, ainda, um dos senadores conhecidos como três porquinhos por articular a frustrada candidatura do apresentador de TV Sílvio Santos à Presidência da República, em 1989.
Ao contrário de Lobão, o PFL não está preocupado com a interinidade do seu senador. Acha que tudo o que ele tem a fazer é ficar quieto, seguir o regimento do Senado à risca e aguardar as novas eleições para quando Jader trocar a licença pela renúncia. Isso é tido como líquido e certo.


