Receita multa Youssef em R$ 123 milhões
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Levantamento fiscal feito pela Receita Federal (RF) sobre a movimentação financeira do doleiro Alberto Youssef e sua empresa Youssef Câmbio e Turismo revelou que o doleiro não declarou a movimentação de US$ 53 milhões entre 1996 e 1999, na agência do Banestado de Nova York. O dinheiro teria passado por uma conta pessoal de Youssef, outra da empresa June International Corporation, da qual o doleiro é procurador, e pela conta da empresa Drake Import/Export.
O levantamento, concluído no final de 2002, só foi revelado ontem pelo procurador da República Mário Ferreira Leite, que instaurou um procedimento para averiguar a origem do dinheiro não declarado pelo doleiro. Pela movimentação não declarada, Youssef foi autuado pela Receita em R$ 123 milhões R$ 118 milhões referente às empresas e R$ 5 milhões da pessoa física. ''São recursos sem origem declarada perante o fisco. Se ele não indicou a quem pertenceria supõem-se que sejam dele'', disse Leite.
Como parte da investigação, o procurador tomou na última quarta-feira, em Curitiba, o depoimento do ex-gerente do Banestado de Nova York, Ércio dos Santos. ''Ele se recusou a prestar mais informações sobre os clientes e a operação em Nova York alegando que pela legislação americana não poderia revelar. Ocorre que o sigilo já foi quebrado não só no Brasil como nos EUA, é um fato que envolve recursos brasileiros e ele tem o dever de falar sobre o que tem conhecimento'', afirmou o procurador. Leite solicitou ontem à Polícia Federal (PF), a abertura de um inquérito para apurar falso testemunho do ex-gerente.
No depoimento, Santos teria dito que conheceu o doleiro em Nova York, mas não revelou o montante movimentado por Youssef na agência. ''Ele (Santos) disse que conheceu o Alberto Youssef em Nova York e que indicou o advogado (David Spencer) para ele, que era o advogado do Banestado'', relatou.
Segundo reportagem da revista IstoÉ, de 19 de fevereiro de 2003, Spencer seria o advogado que teria aberto em 1996, a conta da empresa June International Corporation, em nome de Youssef, e que teria movimentado US$ 650 milhões.
O ex-gerente do Banestado, Youssef e outras 15 pessoas também são citadas em uma ação ajuizada pelo procurador, pela lavagem de R$ 1,3 milhão através de das contas das empresas fantasmas Copave e Cabofer, abertas em agências do Banestado de Londrina. ''Ele (Santos) era gerente de comércio exterior. Essa ação denuncia 17 pessoas por contas de empresas fantasmas de Guaíra e Novo Mundo criada por laranjas e operadas por Alberto Youssef'', afirmou.
O advogado de Ércio Santos, Júlio Cézar Rodrigues, disse que ''não cabe'' o inquérito contra seu cliente. ''Ele respondeu todas as perguntas. Não cabe exatamente o inquérito por falso testemunho, mas isso daí o procurador pode pedir.'' Rodrigues não quis dar detalhes sobre as declarações de Santos, alegando que o processo está sob segredo de justiça. O advogado de Youssef, João Tavares de Lima Filho, não foi localizado.


