Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinou ontem a abertura de sindicância para apurar a responsabilidade pela divulgação de informações protegidas por sigilo fiscal sobre a prestação de contas da campanha à presidência do atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB). A Receita Federal informou também que abriu investigação sobre o assunto, com prazo de 30 dias para a conclusão dos trabalhos. A divulgação dos dados causou grande preocupação pelo uso político explosivo de dados fiscais sob a guarda da Receita.
Em nota oficial divulgada ontem, a Receita afirma que ''repudia qualquer ingerência político-partidária'' e informa desconhecer a origem dos documentos vazados com a informação sobre a campanha de Serra. Reportagem da ''Folha de S.Paulo'' informou que o Fisco detectou o uso de notas fiscais frias no valor total de R$ 476 mil, que levou à suspensão da imunidade tributária do partido e à autuação de aproximadamente R$ 7 milhões.
Segundo a Receita, a programação dos trabalhos da fiscalização é feita de maneira totalmente imparcial e com critérios estritamente técnicos, com o intuito de verificar a ocorrência de ilícitos contra a ordem tributária e resguardar a arrecadação do governo. ''Em nenhuma hipótese, a Instituição se manifesta sobre situação específica ou caso concreto de contribuintes'', afirma a nota.
A comissão de sindicância será formada por três servidores do Ministério da Fazenda e tem prazo de 30 dias. A medida será publicada no ''Diário Oficial'' de hoje.
Mantega afirmou, por meio de sua assessoria, que não leu o relatório da Receita sobre a auditoria nas contas tucanas. O PSDB, segundo assessores, recebeu o relatório da Receita. O vazamento de informações protegidas por sigilo pode levar à demissão de funcionários da Receita.

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