Receita Federal investiga patrimônio de vereadores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
De forma discreta e silenciosa, a Receita Federal vem investigando eventuais ilícitos fiscais relacionados ao escândalo de corrupção na Câmara de Vereadores de Londrina. Segundo apurou a FOLHA, há suspeita de utilização de laranjas para ''esconder'' evolução patrimonial injustificada e sonegação fiscal. A exemplo de outras operações realizadas pelo fisco federal, os investigados tiveram quebrados judicialmente os sigilos sobre movimentação bancária.
O delegado da Receita, Sérgio Nunes, abordou o assunto com cautela quando questionado pela reportagem. ''A Receita está atenta a todas essas situações, mas temos um impedimento legal de fazer comentários sobre situações específicas de contribuintes. O que posso garantir é que, com certeza, estamos cumprindo com nossa obrigação.''
De acordo com Nunes, o sigilo do processo pode auxiliar nas investigações. ''Algumas coisas você consegue identificar com o sigilo.'' O delegado também alegou, para manter as informações sob reserva, que não quer ''atrapalhar a estratégia do Ministério Público''.
Falando sobre as repercussões fiscais do aumento patrimonial ilícito, o delegado explicou que, independente do mérito da situação, a ''aferição de renda implica num fato gerador de imposto''.''Isso é pacífico: a atividade ilícita também é tributada, independente de outras repercussões na esfera penal.''
O promotor Renato de Lima Castro, que participa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), confirmou a solicitação à Receita para colaborar com as investigações do escândalo na Câmara. O Gaeco já promoveu 11 ações judiciais contra nove vereadores envolvidos em suspeita de cobrança de propina para aprovação de leis. ''Nós levantamos indícios de problemas fiscais e pedimos a contribuição da Receita Federal, que foi devidamente autorizada pelo Poder Judiciário'', afirmou. Castro também se recusou a entrar em detalhes da operação alegando que ''as coisas que a Receita faz são sigilosas''.


