Receita Federal apura desvios de mais de R$ 1 milhão da Assembleia
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Catarina Scortecci <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Receita Federal fez uma operação de busca e apreensão ontem em Curitiba para apurar fraudes em restitui2ções do Imposto de Renda de contribuintes ''laranjas'' da Assembleia Legislativa (AL). A ação, que contou com o apoio da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, foi batizada de ''Operação Tubarão''. Foram feitas buscas e apreensões em cinco locais. Segundo o delegado da Receita Federal em Curitiba, Arthur Cezar Rocha Cazella, informou que o prejuízo à União com os casos que estão sendo investigados pela Operação Tubarão pode ultrapassar R$ 1 milhão. A investigação começou no final de 2008 e levaria em conta fraudes realizadas entre 2006 até agora.
''No final de 2008, uma senhora chegou aqui na Receita Federal com problema no CPF e isto tinha sido alertado pelo banco onde ela era correntista. Tínhamos aqui que ela tinha trabalhado na Assembleia Legislativa e recebido restituição do Imposto de Renda pela Casa. Mas ela disse que nunca trabalhou lá'', explicou Cazella. Segundo ele, depois foi descoberta a existência de outras pessoas que também podem ter sido usadas como ''laranjas''. ''Na mesma data, aproximadamente no mesmo horário, mais 11 servidores da AL, pelo mesmo computador, haviam feito suas declarações do imposto de renda. Então, além daquela senhora, haviam mais 11 casos tremendamente suspeitos'', conta ele.
Cazella explicou que, das 12 pessoas envolvidas, sete afirmam que nunca trabalharam na AL e outras cinco ''não foram convincentes''. Segundo ele, os diretores da AL responsáveis na época pela folha de pagamento dos servidores da Casa podem ser responsabilizados. Ele também investiga a participação de funcionários de bancos. A Receita Federal estima por enquanto que 66 pessoas foram usadas no esquema, mas o número pode mudar depois das apreensões feitas ontem: ''Acho que vai ampliar bastante'', disse ele.
Ontem foram feitas buscas e apreensões em duas residências de servidores da AL, na residência e no escritório de um contador e na própria Assembleia Legislativa, de onde foram levados dois computadores. Cazella não divulgou os nomes das pessoas envolvidas. Em entrevista à imprensa na AL, o presidente da Casa, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), disse que identificou os dois servidores e que um deles já havia sido exonerado há um mês de um cargo em comissão. Rossoni não informou o motivo da exoneração. O segundo servidor seria efetivo da Casa, uma telefonista. O caso dela será avaliado pela Procuradoria Geral da AL.


