Curitiba - De onde vem o dinheiro que financia os partidos políticos no Paraná? Para tentar responder a essa pergunta a FOLHA consultou as prestações de contas de todos os diretórios estaduais das legendas de 2003 a 2008 apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral. Entre os sete maiores partidos - PMDB, PP, PT, PSDB, PTB, PDT e DEM - a principal fonte de recursos é o fundo partidário, que representa 50,34% da receita. Mas as doações feitas por empresas também tem papel expressivo no caixa das agremiações: são 21,37% dos recursos.
O partido que mais dependeu de recursos do fundo partidário de 2003 a 2008 no Paraná foi o PTB. O fundo representou 94,03% da receita do partido. Segundo o presidente da legenda, deputado federal Alex Canziani, este ano o PTB deve começar a cobrar contribuições de seus filiados. No passado a legenda, além de contar com o fundo, organizava ''vaquinhas'' entre os correligionários para pagar dívidas. O dinheiro entrava no caixa do partido como doação de pessoa física.
No PMDB o fundo partidário representou 64,67% das receitas no período. Waldyr Pugliesi, deputado estadual e presidente da legenda, disse à FOLHA que a angariação de doações só é feita em época de campanha. ''A pessoa quer doar R$ 5 mil, então ela doa para o partido e pode falar para qual candidato é'', explicou. No partido, as doações de empresas foram 10,80% das receitas.
Para Pugliesi, a opção dos doadores pelas empresas se justifica pela legalidade. ''Via partido fica legalizado'', defende. Já contribuições de parlamentares, filiados e pessoas representaram 22,61% das receitas. O deputado diz que o partido não estipula no estatuto nenhuma contribuição obrigatória.
Entre as sete legendas, a que mais recebeu doações de empresas de 2003 a 2008 foi o PT. Foram R$ 1.764.548,13 em seis anos. O melhor desempenho de captação de recursos dos petistas foi em 2008, quando cinco empresas doaram um total de R$ 1.430 milhão. O PT do Paraná também angariou R$ 1.663.504,84 do fundo partidário (26,57% da receita), R$ 1.597.529,95 de transferências de outros diretórios (25,51%) e R$ 698.908,12 de doações de parlamentares (11,16%). A FOLHA procurou o presidente do partido, deputado Ênio Verri, para comentar os dados, mas ele não retornou as ligações.
Outro partido que captou muitos recursos junto à iniciativa privada foi o PP, presidido pelo deputado federal Ricardo Barros. A agremiação recebeu R$ 1.366.500,00 em doações de empresas nos anos de 2006 e 2008. Foi também em 2008 que o partido conseguiu arrecadar mais: R$ 1.316.500,00 doadas por 17 empresas. ''São pessoas que nós procuramos e que contribuem com o partido'', explicou Barros. Segundo o parlamentar, o PP não cobra contribuições dos filiados nem de parlamentares ou integrantes do partido que tenham cargo público. ''Não acho uma atitute correta'', defendeu.
A maior doação única registrada no levantamento feito pela FOLHA foi destinada ao PSDB, que em 2005 recebeu R$ 500 mil da empresa Engrel. No total, os tucanos paranaenses arrecadaram R$ 687.252,00 de empresas, o que representou 26,28% da receita. Outros 59,25% dos recursos do partido vieram do fundo partidário.
Entre os presidentes de partido, nenhum admite ter uma estratégia de captação de recursos. ''Não existe estratégia. As doações são voluntárias. São pessoas que querem colaborar com o partido'', explica o secretário-executivo do PDT-PR, Larson Leitzke. O PDT paranaense arrecadou R$ 500.050,00 (27,13% da receita total) entre empresas de 2003 a 2008, a maior parte em 2008. Segundo Leitzke, o partido não procura nenhum empresa pedindo doações.
Já o DEM teve apenas uma doação de empresa registrada, de R$ 50 mil em 2008. Além do fundo partidário, que representa 48,38%, o partido obtém recursos de transferências de outros diretórios (16,35%) e de doações de pessoas físicas (9,85%) e parlamentares (9,82%). ''O partido não pode ser um fardo para o político. Nós tentamos manter a estrutura enxuta'', defende o deputado federal e presidente da legenda, Abelardo Lupion.

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