A Receita Estadual de Londrina também deve investigar relatório da Auditoria do Ministério Público que apontou a possibilidade de envolvimento de mais 43 auditores fiscais – além dos 15 já denunciados – na organização criminosa que gerenciava um esquema de cobrança de propina de empresários para sonegação de ICMS. Este foi um dos pedidos do Ministério Público ao apresentar denúncia, há 11 dias, contra 62 pessoas, incluindo os auditores, empresários, contadores e "laranjas". A juíza da 3ª Vara Criminal, Deborah Penna, ainda não decidiu se recebe a denúncia e acata os pedidos complementares, como a prisão de mais três auditores, incluindo Ana Paula Lima, esposa do também auditor Márcio de Albuquerque Lima, apontado como líder da organização.
Na cota ministerial, os promotores pedem que a Receita Estadual fiscalize todas as empresas mencionadas pela auditoria do MP – que passam de cem - "identificando sonegação fiscal e fraudes cometidas". Na semana passada, em entrevista à FOLHA, tanto o delegado da Receita em Londrina, Marcelo Melle, como o corregedor-geral da Receita do Paraná, Dimas Soares, asseguraram que já estava em curso uma "varredura" em todas as empresas mencionadas na investigação do Gaeco até aquele momento. O propósito é, além de identificar fraudes, autuar empresários que tenham deixado de recolher impostos por terem pago propina. Ontem, Melle não deu retorno à solicitação de entrevista.
Os promotores também pedem que a Receita instaure procedimento administrativo contra os auditores envolvidos, providência que, segundo a Receita, será tomada após obter cópia da ação criminal. Nos pedidos complementares, o MP também requer que a Receita encaminhe à Justiça todas as ordens de serviço emitidas para fiscalização de empresas relativas aos últimos cinco anos, além de cópia da ficha funcional de todos os servidores denunciados, constando lotação, férias, licenças e ocorrências administrativas do últimos cinco anos.

QUEBRA DE SIGILO

Outro pedido do MP é a quebra de sigilos bancário e fiscal de 15 pessoas e empresas que ainda não haviam sido atingidas pela medida. Há fortes indícios de que as contas bancárias "tenham sido utilizadas para fins criminosos", como depósitos de valores decorrentes de propinas.
Os promotores também solicitam o encaminhamento da ação criminal à Receita Federal para "cruzamento de dados" que possam auxiliar a apuração de "enriquecimento ilícito dos envolvidos, o uso de "laranjas" para registro de imóveis e lavagem de dinheiro". "Tais providências são necessárias para permitir identificar o fluxo de recursos financeiros, a lavagem de dinheiro, a aquisição de imóveis com o proveito ilícito de crimes e eventuais de outros envolvidos", escrevem os promotores.
Investigação acerca do enriquecimento ilícito de autores revela que alguns têm patrimônio "gritantemente incompatível com sua renda". É o caso de Luiz Antonio de Souza, preso desde 13 de janeiro quando foi flagrado com uma adolescente em um motel (e passou a ser investigado também por participação em um esquema de exploração sexual de adolescentes), que tem, apenas em imóveis, entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.

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