Receita aperta empresas com sigilo quebrado
Agência Estado
De Brasília
A Receita Federal vai realizar auditorias fiscais nas contas de todas as empresas e pessoas físicas que tiveram os sigilos bancário, telefônico e fiscal quebrados pela CPI do Narcotráfico. O anúncio sobre as auditorias, que deverão atingir mais de 300 empresas e pessoas físicas, foi feito por parlamentares da CPI, que se reuniram ontem por mais de uma hora com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
A Receita vai fazer uma devassa fiscal e, na próxima terça-feira, vamos dar a lista de todas as empresas e pessoas físicas que terão um acompanhamento nas contas dos últimos cinco anos, disse o deputado Robson Tuma (PFL-SP). Além de Tuma, estiveram reunidos com Maciel os deputados Paulo Baltazar (PSB-RJ) e Cabo Júlio (PL-MG).
Segundo os parlamentares, não basta quebrar sigilos para investigar totalmente os suspeitos de envolvimento com o crime organizado, pois muitos não depositam o dinheiro no banco. Tuma disse que a Receita Federal vai investigar os chamados sinais exteriores de riqueza, como mansões e iates. Será analisada ainda a alteração patrimonial rápida e as trocas e vendas de bens.
A Receita vai trabalhar de forma conjunta com a CPI, com reuniões semanais para apresentação de prioridades nas investigações. Os parlamentares querem iniciar as auditorias em locais onde há suspeita de lavagem de dinheiro do narcotráfico, exemplo de empresas de Campinas. Segundo os parlamentares, entre as primeiras empresas que deverão sofrer devassa, estão as do empresário Alexandre Negrão, as do acusado de tráfico, foragido, Willian Sozza e as do ex-deputado estadual José Gerardo de Abreu (MA), que está preso.
Uma outra comissão de parlamentares da CPI recebeu a garantia do ministro José Carlos Dias de que o governo federal vai ampliar o programa de defesa de testemunhas, com mais pessoas e mais recursos. Atualmente, o programa protege 31 testemunhas. O ministro garantiu aos deputados que não haverá falta de dinheiro.





