Rebelião provoca convocação em série de ministros
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Ranier Bragon e Márcio Falcão<br>Folhapress 
Brasília - A rebelião na base aliada da Câmara dos Deputados provocou ontem pedidos de esclarecimentos a nove ministros e, também, da presidente da Petrobras, Graça Foster.
Ao todo, as comissões da Câmara convocaram quatro ministros: Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), Manoel Dias (Trabalho) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades), e convidaram outros cinco a dar esclarecimentos: Arthur Chioro (Saúde), Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia), Paulo Bernardo (Comunicação), Francisco José Coelho Teixeira (Integração Nacional) e Moreira Franco (Secretaria de Aviação Civil).
A eles, soma-se o convite feito à presidente da Petrobras, Graça Foster. Em relação ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o PMDB inviabilizou os pedidos de convocação dele nas comissões.
Nas convocações, os ministros são obrigados a comparecer ao Congresso. Entre a estratégia dos partidos aliados que formaram o "blocão" de insatisfeitos com o Planalto está a convocação de ministros para constranger o governo.
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle aprovou a convocação dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União) e Manoel Dias (Trabalho) para tratar de denúncias de irregularidades envolvendo repasses do governo para organizações não governamentais e, também, do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), que deve falar sobre o andamento das obras de mobilidade urbana.
Os deputados também formalizaram um convite para a presidente da Petrobras, Graça Foster, falar sobre denúncias de irregularidades envolvendo a estatal. Como Graça coordena uma estatal, o Congresso não tem força para aprovar a convocação, que torna a presença obrigatória.
Antes dos embates, os deputados da comissão acabaram cedendo aos apelos do PT e transformaram em convite a convocação do ministro Arthur Chioro (Saúde) sobre o programa Mais Médicos, vitrine eleitoral de Dilma Rousseff.
A votação na comissão, contou, inclusive, com uma retaliação do "blocão", puxada pelo PMDB, a partidos que abandonaram o grupo depois de retomarem conversas com o Planalto sobre a reforma ministerial. A votação foi tumultuada pelos governistas e chegou a ser realizada duas vezes. O PT não concordou e disse que houve manobra regimental e irá recorrer ao plenário para anular o chamado dos ministros.
Os deputados da comissão aprovaram ainda a convocação do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), deputado do PP que deve ficar no cargo até o fim da semana. O PP e o PT tentaram retirar de pauta o pedido, mas o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), que vinha negociando acordo com petistas, não aceitou. O peemedebista alegou que houve irregularidade no requerimento e votaria a convocação.
Reação
O líder do PP, Eduardo da Fonte (PE), reagiu e disse que votaria pela convocação dos ministros Gastão Vieira (Turismo) e Antonio Andrade (Agricultura), que são deputados e foram indicados pela bancada da Câmara para o posto.
Cunha desafiou o colega. "Então vamos para a convocação dos três", disse. "Perdeu o clima", completou. O movimento do PMDB foi visto por deputados como uma retaliação ao acerto da cúpula do PP com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), no qual ficou definido que o Ministério das Cidades deve seguir sob o comando de Gilberto Occhi, em substituição a Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
A convocação de Manoel Dias também foi interpretada como um recado ao PDT que também esvaziou o bloco.


