Brasília - A rebelião de partidos da base aliada ao governo na Câmara impediu a votação, ontem, da Medida Provisória (MP) 168, que proíbe o funcionamento dos bingos no Brasil. PL, PP, PTB e PMDB têm divergências sérias em relação ao mérito da proposta e põem a votação da MP em banho-maria até que o governo resolva atender as reivindicações.
Além da contaminação política, importantes integrantes do governo admitem que o conteúdo da MP poderá ser alterado. Mas insistem que os bingos não voltarão a funcionar da maneira que ocorria anteriormente.
A MP dos Bingos foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de um mês e é uma das propostas prioritárias do governo em tramitação no Congresso ''O PTB está dividido: tem deputado no partido que é contra fechar bingo'', afirmou o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ).
Ele observou, no entanto, que o partido não tomará nenhuma atitude contra a proposta porque o relator da MP é o petebista Roberto Magalhães (PE). O PP e o PL são enfáticos ao se posicionar contra a MP. ''Não dá para votar essa medida porque ela precisa ser melhorada. Somos favoráveis ao fim das máquinas caça-níqueis, mas acreditamos que se pode criar algum tipo de controle para o funcionamento dos bingos'', disse o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO).
A proposta do PP é que metade do valor das apostas nos bingos seja destinada para as casas e a outra metade, transformada em título de capitalização. Esse título poderá ser resgatado pelo jogador no futuro.
O PMDB também defende o funcionamento de ''bingos familiares'', com a proibição apenas dos caça-níqueis. Além de parte da base aliada, os partidos de oposição também são contrários à MP. O PSDB resolveu ontem que votará em bloco contra a proposta.

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