Arquivo FolhaCriseEduardo Azeredo: comandante geral da PM pode ser demitido para ‘salvar o governo’A rebelião da Polícia Militar de Minas Gerais pode tornar inviável a reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB). Ele ainda não jogou a toalha mas fez, com os políticos de seu grupo, uma avaliação muito negativa das consequências políticas da crise. O estrago foi tão grande que, numa atitude inédita, estava disposto ontem à tarde a exonerar um amigo, o comandante-geral da PM, coronel Antônio Carlos dos Santos. Governar com parentes e amigos é marca resgistrada de Azeredo e fator de constante desgaste.
Além de tentar controlar a rebelião, o esforço de Azeredo é para reverter o cataclisma eleitoral. Dois fatos mancharam a imagem do governador: a violência em si e o recurso a tropas do Exército para defender a sede do governo. O confronto entre tropas e o sangue do cabo Valério na Praça da Liberdade ofenderam uma sociedade que se orgulha de sua tradição de não-violência. O apelo ao Exército não tem precedentes na história de Minas. Passa a idéia de um governo fraco, que se esconde atrás das fardas. A tradição no Estado é de derrotar tentativas de intervenção ou levar o Exército a reboque.
Os efeitos políticos da crise foram medidos e pesados por Azeredo, que tomou de início uma providência cosmética: divulgou nota para esclarecer que o Exército está apenas colaborando com a manutenção da ordem. Se a população acreditar poderá apagar a imagem de submissão ao governo central. Ele foi aconselhado a assumir pessoalmente a condução da crise, tarefa que delegara desde o início a um amigo, o chefe da Casa Civil, deputado estadual Agostinho Patrus.
Azeredo também buscou cercar-se de apoio civil. Chamou ao Palácio das Mangabeiras, residência oficial, o arcebispo de Belo Horizonte, dom Serafim Fernandes de Araújo, e o de Mariana, dom Luciano Mendes de Almeida, o ex-governador Aureliano Chaves e a bancada federal governista. A oposião decidiu poupá-lo de críticas no momento mais grave. ‘‘É um problema criado pelo neo-liberalismo’’, resumiu o deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), sem botar mais lenha na fogueira.
Mesmo entre os aliados, a avaliação é de que Azeredo criou os problemas que enfrentado agora. O erro primário foi dar em maio um reajuste de 11% aos oficiais da PM, aumentando a diferença com a tropa, com reajuste previsto apenas para agosto. A área econômica do governo de Minas sugeriu ao governador que aguardasse uma autorização da Assembléia Legislativa para melhorar, ao mesmo tempo, os soldos de oficiais e praças. O governador ouviu opinião contrária dos oficiais e do comandante-geral, coronel Antônio Carlos.
A nomeação do coronel para o cargo, no início do ano, foi uma das origens da rebelião. Formado em gabinetes, sem experiência de ações na rua, o coronel trabalhou com Azeredo na prefeitura de Belo Horizonte, em 1989, e com ele subiu até a chefia do gabinete militar do governo de Minas.

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