A cédula de votação que levará os convencionais do PMDB às urnas hoje à tarde não é a única preocupação dos governistas empenhados em garantir ao líder Michel Temer (PMDB-SP) a cadeira de presidente da Câmara. A ala ligada ao governo trabalhou freneticamente, mas não liquidou por completo a rebelião dos que desconfiam da eficácia da aliança com o PSDB e o PFL para dar a vitória a Temer. Os descontentes mantêm a ameaça de apresentar moções propondo o adiamento da votação da emenda da reeleição para depois da escolha do presidente da Câmara.
‘‘O oxigênio da confiança é que permite a negociação na vida parlamentar’’, filosofou o vice-líder Eliseu Padilha (RS). ‘‘Estou tratando com homens que têm estatura moral e política’’, completou o líder Temer. A ofensiva da pacificação custou dezenas de conversas, telefonemas e reuniões, insuficientes para evitar novos complicadores ao projeto da reeleição. ‘‘Vai ter moção de todo o tipo nesta convenção’’, resumiu ontem um cardeal do PMDB.
Prevaleceu a idéia da convenção democrática, onde qualquer convencional ficará livre para apresentar a proposta que quiser. A articulação está sendo feita para desarmar ‘‘os explosivos’’ no plenário, derrotando as moções que causarem maiores prejuízos à reeleição. A pacificação na Câmara foi mais eficiente. Os deputados rebeldes prometeram não tomar a iniciativa de propostas que vinculem a eleição de Temer ao primeiro turno da emenda no plenário.
‘‘As lideranças sabem os limites da negociação e não querem perder as rédeas do processo na convenção’’, explicou um cardeal do partido. ‘‘Fizemos concessões para negociar o projeto de poder do partido na Câmara’’, emendou, referindo-se ao compromisso com o governo de apressar a votação da emenda da reeleição.
A cúpula peemedebista avalia que é fundamental garantir a aprovação do primeiro turno da emenda durante a convocação extraordinária. A eventualidade de o segundo turno ficar para depois da eleição do presidente da Câmara, em fevereiro, é considerada ‘‘palatável’’, mesmo na hipótese de ter sido provocada por uma moção do PMDB neste sentido. A direção do PMDB argumenta que Temer agirá com o mesmo pulso do presidente Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), na condução da segunda rodada da emenda no plenário.
O Palácio do Planalto mobilizou seu comando político no Executivo e no Congresso, o presidente da República entrou em ação, os governadores foram convocados e o primeiro time da ala governista do PMDB fez o que pôde. Mas o governo ainda corre riscos na convenção nacional que o maior partido do Congresso realiza neste domingo em Brasília. O problema é a cédula de votação, em que os 516 convencionais deverão dizer sim ou não à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao plebiscito e ao referendo popular.

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