Rebeldes podem atrapalhar votação
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
A cédula de votação que levará os convencionais do PMDB às urnas hoje à tarde não é a única preocupação dos governistas empenhados em garantir ao líder Michel Temer (PMDB-SP) a cadeira de presidente da Câmara. A ala ligada ao governo trabalhou freneticamente, mas não liquidou por completo a rebelião dos que desconfiam da eficácia da aliança com o PSDB e o PFL para dar a vitória a Temer. Os descontentes mantêm a ameaça de apresentar moções propondo o adiamento da votação da emenda da reeleição para depois da escolha do presidente da Câmara.
O oxigênio da confiança é que permite a negociação na vida parlamentar, filosofou o vice-líder Eliseu Padilha (RS). Estou tratando com homens que têm estatura moral e política, completou o líder Temer. A ofensiva da pacificação custou dezenas de conversas, telefonemas e reuniões, insuficientes para evitar novos complicadores ao projeto da reeleição. Vai ter moção de todo o tipo nesta convenção, resumiu ontem um cardeal do PMDB.
Prevaleceu a idéia da convenção democrática, onde qualquer convencional ficará livre para apresentar a proposta que quiser. A articulação está sendo feita para desarmar os explosivos no plenário, derrotando as moções que causarem maiores prejuízos à reeleição. A pacificação na Câmara foi mais eficiente. Os deputados rebeldes prometeram não tomar a iniciativa de propostas que vinculem a eleição de Temer ao primeiro turno da emenda no plenário.
As lideranças sabem os limites da negociação e não querem perder as rédeas do processo na convenção, explicou um cardeal do partido. Fizemos concessões para negociar o projeto de poder do partido na Câmara, emendou, referindo-se ao compromisso com o governo de apressar a votação da emenda da reeleição.
A cúpula peemedebista avalia que é fundamental garantir a aprovação do primeiro turno da emenda durante a convocação extraordinária. A eventualidade de o segundo turno ficar para depois da eleição do presidente da Câmara, em fevereiro, é considerada palatável, mesmo na hipótese de ter sido provocada por uma moção do PMDB neste sentido. A direção do PMDB argumenta que Temer agirá com o mesmo pulso do presidente Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), na condução da segunda rodada da emenda no plenário.
O Palácio do Planalto mobilizou seu comando político no Executivo e no Congresso, o presidente da República entrou em ação, os governadores foram convocados e o primeiro time da ala governista do PMDB fez o que pôde. Mas o governo ainda corre riscos na convenção nacional que o maior partido do Congresso realiza neste domingo em Brasília. O problema é a cédula de votação, em que os 516 convencionais deverão dizer sim ou não à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao plebiscito e ao referendo popular.


