Reaproximação de Itamar com FHC divide grupos
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Arquivo FolhaImpasseItamar: críticas dos dois ladosEvandro Éboli Agência Estado 
A reaproximação do governador eleito de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), com o presidente Fernando Henrique Cardoso divide o grupo político do ex-presidente da República. Parte dos aliados de Itamar defende a reconciliação imediata e outros consideram ainda cedo para se contornar esse impasse. O ex-advogado-geral da União José de Castro Ferreira e o ex-ministro da Casa Civil Henrique Hargreaves - os dois principais interlocutores e conselheiros de Itamar - estão em lado opostos.
Ferreira defende a reabertura imediata do diálogo com Fernando Henrique. Durante a campanha ao governo mineiro, ele criou o Movimento Popular Independente, que produziu um jornal de apoio a Itamar para governador e à reeleição de Fernando Henrique. Para o auxiliar nessa tarefa, Ferreira conta com o diretor da BR Distribuidora Djalma Moraes, também ex-ministro do governo Itamar.
Moraes é o único remanescente do grupo itamarista que ocupa cargo de alguma relevância no governo federal. Para Hargreaves, essa reaproximação será difícil ocorrer tão cedo. Na opinião dele, não deve acontecer antes da posse de Itamar.
As sequelas da campanha eleitoral são o maior empecilho. Fernando Henrique apoiou o governador Eduardo Azeredo (PSDB), depois de ter prometido que não se envolveria nas disputas de segundo turno nos Estados. A decisão do presidente, entretanto, foi tomada depois que Fernando Henrique soube não ter contado com o apoio de Itamar para se reeleger. O ex-presidente e todo o grupo político dele votaram no candidato derrotado Ciro Gomes (PPS).
O ministro da Educação do governo Itamar, Murílio Hingel - um dos coordenadores da campanha - é um dos itamaristas mais críticos em relação ao governo Fernando Henrique. Desde que deixou o cargo, passou a condenar a política do sucessor, Paulo Renato de Souza. Hingel é um nome certo para assumir a Secretaria Estadual de Educação. A indicação dele deverá irritar o Palácio do Planalto.
A exemplo do primeiro turno, Itamar voltou a ter uma expressiva votação em Juiz de Fora, obtendo cerca de 90% dos votos dos juiz-foranos, 13% a mais que no primeiro turno. Itamar recebeu 215.548 votos contra 26.594 de Azeredo. O governador mineiro obteve apenas 3 mil votos a mais na cidade, neste segundo turno. Itamar somou mais 40 mil votos em relação à votação no primeiro turno.
Apesar desse apoio dos eleitores da terra, o ex-presidente não conseguiu eleger nenhum deputado federal que apoiou na cidade. Os dois deputados federais eleitos por Juiz de Fora não são do PMDB. Um dos eleitos, o ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), é um opositor do grupo ligado ao ex-presidente e potencial candidato a retornar à prefeitura em 2000. Na campanha, Itamar acusou Mattos de não lhe defender das críticas de Azeredo.
A eleição do ex-presidente Itamar Franco para o governo de Minas deve transformá-lo na mais importante liderança do PMDB no País e em um nome forte para concorrer à Presidência da República em 2002, caso o partido tenha, conforme planeja, candidatura própria. A previsão é do ex-governador Newton Cardoso, vice da chapa de Itamar.


