Há duas semanas, 11 dos 18 vereadores de Londrina aprovaram como primeiro projeto da nova legislatura a resolução que aumenta de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil a verba para contratação de até cinco assessores. Se entrasse em pauta ontem, a votação de um novo documento ou a alteração do anterior, o valor antigo seria mantido por um placar de 10 votos a sete, com uma abstenção (veja quadro abaixo).
A Folha conversou ontem à tarde com os 11 parlamentares que aprovaram o aumento da verba para saber se a posição de cada um seria mantida mesmo com parte razoável da opinião pública se manifestando ainda hoje contra a medida. Horas antes, dois deles empossados pela primeira vez o pedetista Roberto Fu e a petista Maria Ângela Santini afirmaram em um programa da TV Tarobá que mudariam o voto depois da repercussão negativa que o fato obteve junto à população.
''Como o repúdio foi grande, hoje eu votaria contra. É como se, da noite para o dia, eu tivesse passado da condição de líder comunitário para bandido'', declarou Fu. Maria Angela disse que não se arrepende do voto favorável, mas ressalvou que hoje mudaria de posição ''dadas as conjunturas sociais''. ''Votei consciente, mas é preciso ouvir a população e atendê-la'', argumentou.
Terceiro e último a repensar o posicionamento, o vereador Henrique Barros (PMDB) admitiu estar ''arrependido'' de ter sido um dos 11 votos a favor do aumento da verba. ''Sou contra, não tinha dimensão da proporção que isso tomaria em público. Além do mais, o dinheiro vai para assessores, não para mim''.
Apesar das declarações, ninguém propôs ontem à Mesa Executiva autora da resolução que determina o aumento a revogação da medida, por ora suspensa liminarmente pelo juízo da 10 Vara Cível de Londrina. De acordo com o procurador jurídico do Legislativo, João Esteves, revogar o que já foi feito ''é mais uma questão política que jurídica''. ''A própria ação civil do Ministério Público, na minha opinião, tem viés político. Mas a Mesa tem sim a soberania política para decidir pela revogação do que quiser'', explicou. Anteontem, ele protocolou no Tribunal de Justiça (TJ) do Estado o recurso contra a liminar que suspende o reajuste. ''Além de isso se caracterizar interferência entre os poderes, não estamos extrapolando o orçamento de 6% destinado à Câmara'', argumentou.
A favor antes e depois do reajuste, Flávio Veodato (PSC) considera corretos os valores novos. ''Assessor precisa de um salário justo, não vejo imoralidade pensar assim''. Idéia semelhante é compartilhada pelo pastor Renato Lemes (PL), vice-presidente. ''Não mudaria de posição porque o que fizemos não foi ilegal. A manutenção do que penso tem preceito bíblico: 'Deus se agrada dos que têm propósito firme''', citou. Líder do Executivo, Gláudio de Lima (PT) não quis comentar o assunto. ''Não vou entrar nessa polêmica para não parecer oportunista'', resumiu.

mockup