Reajuste gera protestos nas praças de pedágio
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma onda de protestos contra o reajuste médio de 15,34% do pedágio marcou o primeiro dia de vigência das novas tarifas no Estado. Até o início da noite de ontem, pelo menos oito praças de pedágio haviam sido invadidas por representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e em diversos pontos caminhoneiros realizaram protestos contra os novos preços.
O primeiro protesto aconteceu às 8 horas de ontem, quando cerca de 70 sem-terra invadiram a praça da concessionária Viapar, em Presidente Castelo Branco (26 quilômetros a noroeste de Maringá). Os integrantes do MST levantaram as catracas e o tráfego na BR-376 foi liberado. A Viapar teve também duas outras praças invadidas por membros do MST, nos municípios de Arapongas e Campo Mourão.
A Rodonorte teve quatro praças de pedágio invadidas. Em Carambeí (20 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), 80 sem-terra que ocupam a fazenda da Embrapa invadiram a praça da concessionária. As praças de Imbaú (104 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), Mauá da Serra (54 quilômetros ao sul de Apucarana) e São Luiz do Purunã também foram tomadas pelo MST. A praça de Jataízinho (21 quilômetros ao leste de Londrina), da Econorte, também foi invadida por membros do MST (leia mais detalhes nesta página).
O presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, criticou os atos do MST. ''O que tem que ser lembrado é que as praças são patrimônio do Estado. Elas estão sob a administração dos contratos apenas enquanto o contrato de concessão estiver em vigência. Se alguém acha que está atingindo as concesisonárias com esse tipo de medida, está errado'', afirmou.
Chiminazzo não quis comentar os boatos de que o governo estaria incentivando os membros do MST a praticarem as invasões. ''Há suposições que chegam a nós nesse sentido, mas não temos nenhuma informação concreta. Até onde nos consta, o governo é o responsável pela preservação da ordem pública'', completou.
Assim que foram notificados das invasões, os advogados das concessionárias começaram a buscar a Justiça para desocupar as praças. Na tarde de ontem, a Viapar já havia obtido um mandado de reintegração de posse na praça de Presidente Castelo Branco. Caso a desocupação não se dê de forma pacífica, a lei prevê que a Polícia Militar seja utilizada para liberar a praça.


