Brasília - Recém-conduzido à liderança do governo no Senado, Fernando Bezerra (PTB-RN) defendeu ontem a decisão de reajustar em 1,73% acima da inflação o salário mínimo, mas avaliou como um ''sonho'' a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de dobrar o valor real (acima da inflação) em quatro anos. ''O que o governo propôs foi o que entendeu como possível. Ninguém de bom-senso vai estourar as contas públicas para atender uma proposta irreal de aumento do mínimo'', afirmou. ''A realidade encontrada no governo foi completamente diferente do sonho que o presidente Lula teve de dobrar o valor do mínimo em quatro anos.''
A avaliação de Bezerra foi compartilhada por outros senadores governistas. Ex-líder do PT na Casa, o senador Tião Viana (AC), chegou a dizer que o reajuste era ''uma decisão difícil'' do governo e jogou a responsabilidade em gestões anteriores, mas declarou não ter ficado contente com a saída. ''O presidente sofre, nós do PT não ficamos satisfeitos'', afirmou.
Praticamente nenhum senador governista defendeu a opção por um aumento para R$ 260 - manifestações contrárias foram presenciadas no PT, PMDB, PSB, PTB e demais partidos aliados. O sentimento generalizado foi de frustração. Para Hélio Costa (PMDB-MG), vice-líder do governo na Casa, o governo Lula está se aproximando do que criticava em seu antecessor. ''O salário mínimo sempre foi uma bandeira do PT. Se eles não vão carregá-la, qual outra bandeira poderão carregar?'', afirmou.
O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), disse que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve estar feliz com o valor. ''É a aplicação da política dentro do limite do possível.

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