Reajuste dos servidores deve ficar em 2,5%
Brasília - Velhos aliados do PT, os servidores públicos terão mesmo de amargar um reajuste salarial bem inferior ao que desejam. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, avisou ontem que a correção para o funcionalismo neste ano terá de se limitar ao que o Orçamento prevê: 2,5% de aumento linear para todos ou 4% sujeitos a desconto das parcelas concedidas em 2002.
Na primeira rodada de negociação, seis ministros escalados para conversar com líderes de 12 entidades do funcionalismo tentaram conquistar a confiança dos sindicalistas com a promessa de diálogo permanente, mas não deram nenhum sinal de disposição para ceder às reivindicações. ''Há um limite definido pelo Orçamento. A nossa base de referência será essa'', disse Mantega, após a reunião.
De acordo com o ministro, o governo deverá definir ''nos próximos dias'' o índice e a forma de reajuste, mas não há possibilidade de remanejar despesas do Orçamento para atender ao funcionalismo. ''Não é possível pensar em remanejamento porque áreas importantes já foram comprimidas'', disse, referindo-se ao bloqueio de R$ 14 bilhões anunciado no início do mês para atender à necessidade de gerar mais R$ 5,2 bilhões de superávit primário.
Dos R$ 78,5 bilhões de despesas com pessoal previstos para 2003, R$ 2 bilhões estão reservados para o reajuste dos servidores, o que permite um aumento linear de apenas 2,5% - bem menos do que os 46,95% reivindicados. Se os sindicalistas preferirem, o governo poderá fixar o reajuste em 4% e descontar as parcelas concedidas ao longo de 2002, mas, nesse caso, metade dos funcionários federais não teria nada a receber.
Outros pontos - ''Os servidores sabem da herança que estamos recebendo e que seus problemas não serão resolvidos de imediato'', disse o ministro do Planejamento, sem precisar como o governo pretende conciliar o ajuste fiscal com a necessidade de retomar investimentos e a promessa de recuperar os salários dos servidores. Segundo ele, é possível avançar nas negociações de outros pontos da pauta dos servidores que não impliquem em novos custos adicionais.
Além de Mantega, os outros cinco ministros presentes à reunião eram Antônio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Ricardo Berzoini (Previdência) e Jaques Wagner (Trabalho). ''Pela primeira vez na história, seis ministros recebem os servidores para negociar. Isso demonstra a postura diferenciada do nosso governo'', disse Mantega. ''Os servidores públicos deixarão de ser cidadãos de segunda categoria para se tornarem parceiros.''





