Reajuste do piso regional vai para sanção
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em uma sessão dedicada exclusivamente para discutir e aprovar o salário mínimo regional, os deputados estaduais mantiveram ontem a política bienal de reajuste da remuneração. Isso significa que, pelo projeto de lei número 169/2012 aprovado ontem, além de aumento salarial de 10,32% a ser aplicado ao salário mínimo a partir do próximo dia 1º, no ano que vem os trabalhadores que ganham o mínimo têm garantido 5,1% de aumento real. Em 2013 bastará ao governo, então, calcular o índice de inflação do período.
A garantia da política bienal para o salário mínimo veio com 40 votos favoráveis dos parlamentares, contra sete deputados que foram contra. Por pressão das classes patronais, que não aceitavam a vinculação do índice de aumento para 2013, o vice-líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, deputado Elio Rusch (DEM), havia proposto uma emenda supressiva retirando o artigo do projeto que previa o aumento de 5,1% para 2013.
Rusch recorreu à crise econômica em outros países para embasar a retirada do aumento aos trabalhadores em 2013. ''Assumi compromisso com as classes patronais ao apresentar a emenda. Quem vai garantir estabilidade à economia brasileira até 2013? Outros países já sofrem com a sua economia, como Espanha e Itália. E o Brasil não é uma ilha, como é que vai pré-fixar um valor sem saber o que pode acontecer no ano que vem? Não somos contra os trabalhadores, mas não podemos correr o risco de antecipar'', justificou Rusch, que foi hostilizado pelos trabalhadores que acompanharam a sessão plenária. Votaram com Rusch pela retirada do reajuste para 2013 os deputados Douglas Fabrício (PPS); Fernando Scanavaca (PDT); Nelson Justus (DEM); Osmar Bertoldi (DEM); Plauto Miró (DEM) e Stephanes Junior (PMDB).
Também presente na votação, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evaldo Kosters, defendeu a retirada do índice para o ano que vem. ''Não podemos conceber pré-fixação dos índices de reajuste. O novo piso pode ser, para muitos setores, impraticável, principalmente para o setor da confecção. É muito arriscado antecipar um horizonte. Se fosse tão simples poderíamos prever para os próximos dez anos'', defendeu ele.
Na defesa do projeto de lei original (com os 5,1% para 2013, que haviam sido acordados entre governo e as partes) e que foi o texto final aprovado, o secretário estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, Luiz Claudio Romanelli, salientou o crescimento do País e o aumento na geração de empregos. ''Sabemos que a desigualdade social ainda é muito grande. Não temos dois governos, o projeto falou pela voz do governador Beto Richa'', afirmou.
Antes da votação, integrantes da Força Sindical se mobilizaram para conversar com os deputados para derrubar a emenda de Rusch. ''O País está crescendo a pleno emprego, não é concebível que o empresário venha dizer que não sabe o que vai ocorrer, temos a previsão de crescimento do PIB. O reajuste está aquém do que precisamos, mas aceitamos porque foi um meio-termo negociado em várias reuniões'', apontou o representante da Força Sindical Nelson Silva de Souza. A sanção da lei com os novos valores do mínimo regional será feita pelo governador Beto Richa (PSDB) no próximo dia 1º.



