Curitiba - Em uma sessão dedicada exclusivamente para discutir e aprovar o salário mínimo regional, os deputados estaduais mantiveram ontem a política bienal de reajuste da remuneração. Isso significa que, pelo projeto de lei número 169/2012 aprovado ontem, além de aumento salarial de 10,32% a ser aplicado ao salário mínimo a partir do próximo dia 1º, no ano que vem os trabalhadores que ganham o mínimo têm garantido 5,1% de aumento real. Em 2013 bastará ao governo, então, calcular o índice de inflação do período.
A garantia da política bienal para o salário mínimo veio com 40 votos favoráveis dos parlamentares, contra sete deputados que foram contra. Por pressão das classes patronais, que não aceitavam a vinculação do índice de aumento para 2013, o vice-líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, deputado Elio Rusch (DEM), havia proposto uma emenda supressiva retirando o artigo do projeto que previa o aumento de 5,1% para 2013.
Rusch recorreu à crise econômica em outros países para embasar a retirada do aumento aos trabalhadores em 2013. ''Assumi compromisso com as classes patronais ao apresentar a emenda. Quem vai garantir estabilidade à economia brasileira até 2013? Outros países já sofrem com a sua economia, como Espanha e Itália. E o Brasil não é uma ilha, como é que vai pré-fixar um valor sem saber o que pode acontecer no ano que vem? Não somos contra os trabalhadores, mas não podemos correr o risco de antecipar'', justificou Rusch, que foi hostilizado pelos trabalhadores que acompanharam a sessão plenária. Votaram com Rusch pela retirada do reajuste para 2013 os deputados Douglas Fabrício (PPS); Fernando Scanavaca (PDT); Nelson Justus (DEM); Osmar Bertoldi (DEM); Plauto Miró (DEM) e Stephanes Junior (PMDB).
Também presente na votação, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evaldo Kosters, defendeu a retirada do índice para o ano que vem. ''Não podemos conceber pré-fixação dos índices de reajuste. O novo piso pode ser, para muitos setores, impraticável, principalmente para o setor da confecção. É muito arriscado antecipar um horizonte. Se fosse tão simples poderíamos prever para os próximos dez anos'', defendeu ele.
Na defesa do projeto de lei original (com os 5,1% para 2013, que haviam sido acordados entre governo e as partes) e que foi o texto final aprovado, o secretário estadual do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, Luiz Claudio Romanelli, salientou o crescimento do País e o aumento na geração de empregos. ''Sabemos que a desigualdade social ainda é muito grande. Não temos dois governos, o projeto falou pela voz do governador Beto Richa'', afirmou.
Antes da votação, integrantes da Força Sindical se mobilizaram para conversar com os deputados para derrubar a emenda de Rusch. ''O País está crescendo a pleno emprego, não é concebível que o empresário venha dizer que não sabe o que vai ocorrer, temos a previsão de crescimento do PIB. O reajuste está aquém do que precisamos, mas aceitamos porque foi um meio-termo negociado em várias reuniões'', apontou o representante da Força Sindical Nelson Silva de Souza. A sanção da lei com os novos valores do mínimo regional será feita pelo governador Beto Richa (PSDB) no próximo dia 1º.

Imagem ilustrativa da imagem Reajuste do piso regional vai para sanção
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