Brasília - O governo federal deverá aumentar em pelo menos 5% o valor pago pelo programa Bolsa Família a seus beneficiários, provavelmente em agosto deste ano. Já foi tomada a decisão de fazer o reajuste pelo menos pela taxa de inflação dos últimos 12 meses, mas o governo estuda ainda, pelas próximas duas semanas, se existe a chance de ir além.
O reajuste permitiria que o valor médio do benefício, hoje em R$ 85 por família, passasse para R$ 90, apenas com a reposição da inflação. O governo tende a trabalhar com valores inteiros, sem centavos, para facilitar os saques em cidades pequenas, com menor circulação de dinheiro. O valor máximo, que hoje está em R$ 182, passaria para R$ 187, sendo que o básico por família sairia de R$ 62 para R$ 67 e o benefício por criança até 15 anos, de R$ 20 para R$ 21.
Uma reunião na última quarta-feira, dia 15, entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo - chamado de última hora para participar - definiu que a reposição da inflação é possível, mesmo custando cerca de meio bilhão de reais à União. No entanto, tenta-se esticar o orçamento para incluir no reajuste algo a mais, aumentando assim o poder de compra das famílias.
Uma das possibilidades é a inclusão da previsão de inflação dos 12 meses seguintes, o que poderia passar de 10% de reajuste a partir de agosto deste ano. Isso para evitar um novo aumento em 2010, ano eleitoral. No entanto, se os recursos deste ano não forem suficientes, o governo poderá retomar uma discussão iniciada em 2008, de tornar fixo o reajuste do Bolsa-Família.
Em julho de 2008, quando concedeu o último aumento do programa, de 8%, o governo chegou a estudar um mecanismo legal de reposição anual da inflação para o Bolsa-Família, mas abandonou a ideia. No entanto, ela pode ser retomada agora, dentro da preocupação já manifestada pelo presidente Lula de deixar legalizadas determinadas normas dos programas sociais para que elas não possam ser abandonadas depois que ele sair do governo.
Lula chegou a tratar do assunto essa semana durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília. Apesar de não ter citado os reajustes do Bolsa-Família, afirmou que pedira a sua equipe de governo para verificar a necessidade de projetos de lei que garantissem ''conquistas''.
O Bolsa Família é o maior projeto social do governo e uma parte importante da popularidade de Lula, que ele pretende transferir para a candidata a sua sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Criado em outubro de 2004, o programa atende hoje 11,5 milhões de famílias e custa quase R$ 12 bilhões ao ano. No ano passado, a meta de atendimento, que era de 11,1 milhões de famílias e havia sido cumprida em 2006, foi ampliada para 13 milhões.

mockup