Reajuste de verba é revogado em 1º turno
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terça-feira, 08 de março de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Durou pouco menos de três semanas, mas o efeito, pelo que se ouvia nos últimos dias dentro e fora dos bastidores, foi devastador. Há tempos que a Câmara de Vereadores de Londrina não sentia na pele tão sistematicamente a pressão da opinião pública contra uma iniciativa dos parlamentares como o foi com o aumento da verba de gabinete de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil. Ontem, o recuo anunciado na segunda-feira foi selado com a revogação em primeiro turno da resolução que previa o aumento. Além de ter ganho a simpatia de 11 dos 18 veradores, à época em que foi discutida, a medida ficou registrada também como o primeiro projeto aprovado pela 14 Legislatura.
Elaborado pela própria Mesa Executiva, autora do projeto inicial, o documento que solicita a revogação foi votado ontem em regime de urgência e aprovado por unanimidade. Nos discursos feitos em Plenário por quem já havia votado contra e a favor, ''maturidade'' era a palavra mais comumente utilizada para descrever a atitude da revogação.
No fim do expediente, contudo, o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), confessou que foi ''bastante trabalhosa'' a tarefa de convencer alguns votos favoráveis a reverem o posicionamento. ''Encontrei muita resistência nessa rearticulação, mas pela governabilidade, tiveram que entender'', afirmou, sem citar nomes. Na avaliação do vereador um dos sete que pediram urgência na discussão do projeto , é ''inegável'' que a pressão da comunidade pesou mais que matuiridade dos colegas. ''Claro que as lideranças de base pressionaram demais, mas mostramos que a nossa Câmara é bastante democrática'', minimizou. Para o presidente da Mesa, a repercussão do episódio teria ganho proporções além das imaginadas, em função da discussão paralela sobre um possível aumento de salário dos deputados federais, que sequer entrou em pauta em Brasília. ''Isso refletiu aqui, sem dúvida'', considera.
Contrário à discussão da revogação em caráter emergencial, Flávio Vedoato (PSC) disse que a Câmara deveria ter esperado o julgamento do agravo de instrumento ingressado semana passada pela Procuradoria Jurídica do Legislativo. Ele se refere ao recurso impetrado pelo procurador João Esteves contra a liminar da 10 Vara Cível de Londrina, datada do último dia 25, a qual suspendia o reajuste da verba. Ao contrário de Bonilha, Vedoato acredita que a pressão não atrapalhou o reajuste para R$ 6,8 mil por gabinete. ''Pode até dar essa conotação, mas foi revogado é por maturidade nossa mesmo'', considerou.
Contrário desde as primeiras discussões da resolução, o tucano Tercílio Turini demonstrava ser dos mais satisfeitos com a medida aprovada na tarde de ontem. ''Era previsível que haveria esse desgaste na imagem da instituição, não por falta de chamar a atenção. Revogar algo impopular é importante, mas reconquistar o que foi arranhado é muito mais difícil daqui em diante'', avaliou Turini.
O projeto teve parecer favorável à tramitação elaborado pelas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Finanças. Amanhã, ele entra em pauta para a segunda e última discussão.


