Reação nas pesquisas anima pefelistas
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Agência Estado 
A reação do presidente Fernando Henrique Cardoso na última pesquisa de intenção de voto animou os aliados pefelistas do Palácio do Planalto e estimulou os mais otimistas a arriscar até na vitória do candidato em primeiro turno, mas a ordem continua sendo não usar salto alto. As avaliações são feitas com base na pesquisa do Instituto Vox Populi, divulgada sexta-feira, que aponta o presidente com 36% das intenções de voto, contra 29% do candidato das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente começou a reverter o quadro das pesquisas, como era esperado, mas o seu real crescimento será em julho e agosto, sustentou o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Para os políticos amigos do presidente, o fundamental é que a recuperação de cinco pontos porcentuais, abrindo uma diferença de sete em relação ao candidato do PT, é resultado não apenas de tropeços dos adversários, mas do acerto de passo do governo. Ele volta a crescer nas pesquisas, não só pelos erros da oposição, mas, principalmente, pelos méritos do governo, sustenta ACM.
Para os aliados do PFL, ao assumir uma postura mais humilde e mais clara, o presidente aproxima-se do eleitor e fica favorecido na disputa contra Lula, que tem uma linguagem de identidade com as ruas, como reconhecem os pefelistas. Nas últimas semanas, Fernando Henrique tem sido mais agressivo nos discursos e adota um tom mais popular, assumindo o principal problema enfrentado atualmente pelo governo, o desemprego.
Bastou o presidente conversar mais e explicar os atos de sua administração, falar das questões que preocupam seu governo, que são as mesmas preocupações da população, para ele subir nas pesquisas, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), que se encontrou ontem na capital baiana com outros chefes pefelistas, na cerimônia na qual o Aeroporto Internacional de Salvador ganhou o nome do ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães, morto em abril.
Oliveira chegou a arriscar a previsão de uma vitória definitiva de Fernando Henrique, em 4 de outubro. As pesquisas mostram que ainda é possível ganhar no primeiro turno, afirmou. Mas outros pefelistas lembram que, por enquanto, o eleitor é volátil e pode flutuar mais vezes entre um e outro candidato. O susto foi bom para sacudir do governo, mas ainda não dá para usar salto alto, ponderou o deputado José Carlos Aleluia (BA).
Os aliados atribuem parte da reversão nas pesquisas aos pronunciamentos do candidato a vice de Lula, Leonel Brizola (PDT), contrário ao programa de privatizações e ameaçando anular as vendas feitas. O presidente do Senado teve o papel de contestar as críticas de Brizola, mas não será o único a enfrentar os próximos ataques. Todos os aliados têm de defender seu candidato, disse um amigo de ACM.
O procurador-geral eleitoral, Geraldo Brindeiro, indeferiu ontem denúncia do PT contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, por entender que o fato apontado pelo partido não se trata de um delito eleitoral. O PT acusara o presidente e o ex-secretário-geral da presidência, Eduardo Jorge, de terem cometido abuso e desvio de autoridade na visita feita por Jorge ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ilmar Galvão, para conversar sobre as normas eleitorais em vigor.


