Reabertura do pedágio surpreende usuários
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A surpresa e a indignação tomaram conta dos motoristas que passaram ontem pela praça de pedágio na BR-369, entre Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho) e Cambará. Depois de sete anos de desativação, a cobrança voltou a ocorrer. A medida pegou muitos desprevenidos e alguns ainda foram liberados para passar sem pagar a tarifa. A reativação foi a forma encontrada pela concessionária de retomar a arrecadação depois que uma liminar suspendeu a cobrança nas praças de Jacarezinho.
A novidade trouxe preocupação para os comerciantes da região e para quem circula no trecho todos os dias, como o funileiro Vanderson Cortez, que mora em Andirá e trabalha em Cambará. Sem saber do reinício da cobrança, ele disse que pode ser obrigado a deixar o emprego na cidade vizinha.
''Pagar R$ 4,90 para passar de moto é muito caro. Se eu tiver que gastar quase R$ 10 por dia para ir trabalhar vou ter que parar.'' Ele ressaltou que ''usa'' apenas 15 quilômetros da estrada e terá de desembolsar o mesmo de quem percorre trechos muito maiores.
Para o técnico mecânico Josevani Lima, 30, o pedágio não deveria nem existir. A argumentação é que a arrecadação do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) já deveria ser usada para fazer a manutenção das estradas. Para cruzar a praça de carro, o motorista desembolsa R$ 9,70. ''Boa parte do lucro do serviço já fica no pedágio'', criticou.
Os caminhoneiros são os que mais sofrem com os novos valores. De acordo com Sidnei Rodrigues, 25, a entrega de carne em Cambará e localidades próximas pode ficar inviável devido à proporção desigual entre volume de mercadoria e valor do pedágio. ''E ainda pagamos o pedágio de Jataizinho, que é um dos mais caros do Estado'', comentou Rodrigues, antes de seguir viagem de volta para Londrina.
E o dinheiro que fica nas cancelas da concessionária deixarão de movimentar os caixas das empresas das cidades da região. A estimativa da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Andirá (Aciaa) é que meta de crescimento de 10% em relação ao final de 2007 seja frustrada. ''Temos bastante clientes de Cambará. Com o pedágio, o comércio local acaba sendo afetado de alguma forma'', avaliou a presidente da entidade, Rita de Cássia Zanetti Oliveira.
Mas também é possível encontrar quem veja um lado bom na situação. A comerciante Sônia Maria de Oliveira Ferreira, 47, acredita que o ''novo'' pedágio vai evitar que os consumidores saiam de Andirá para comprar em cidades vizinhas, como Cambará, Jacarezinho e Ourinhos (SP). ''Acho que não vai afetar o meu movimento, mas o problema é o preço. Poderia ser mais 'mansinho'.''
Ao tentar contato com a Econorte no início da noite de ontem, a reportagem recebeu a informação que o atendimento à imprensa é feito apenas no horário comercial.


