Políticos da oposição se notabilizaram, caíram ministros, pontos na popularidade do presidente da República oscilaram e até programa de governo teve de mudar de nome. Tudo por causa dos ‘‘ratos do Siafi’’ (Sistema Integrado de Administração Financeira) que disponibiliza em rede todas as receitas e despesas da União e o controle on-line dos gastos públicos. Os ‘‘ratos’’, por sua vez, são especialistas em funcionamento da administração pública que se escondem atrás de uma tela de computador nos gabinetes de parlamentares da oposição. Com uma senha de acesso ao Siafi, transformam-se em poderosos fiscais do dinheiro público.
O economista Gil Castelo Branco, de 48 anos, é um desses experts no sistema implantado pelo governo federal há 14 anos. Dos gabinetes ministeriais ele se deslocou para os da Câmara há 10 anos e desde então ajudou a tornar conhecidos no País deputados do DF que denunciavam corrupção ou a má-gestão financeira do governo. Primeiro com o ex-deputado Augusto Carvalho (PCB), atualmente com o deputado Agnelo Queiroz (PC do B), Gil e seus colegas especializados em Siafi, lotados em meia dúzia de gabinetes dos partidos de oposição, irritam o governo federal com a fiscalização sistemática dos gastos.
Foi com uma ‘‘varredura’’ no Siafi que a ex-ministra dos Transportes Margarina Coimbra, do governo Itamar, permaneceu por dez semanas no cargo e caiu com a denúncia de favorecimento de uma empreiteira. Ao mesmo caminho levaram o ex-ministro dos Esportes Rafael Greca as descobertas no Siafi. Seu antecessor no Ministério, Pelé, teve de demitir 11 funcionários por corrupção flagrada no sistema. Dali surgiu também o escândalo dos precatórios do DNER. Muito antes, o Fundo Social de Emergência (FSE) acabou mudando de nome depois de revelado, pelo Siafi, seu uso para compra de goiabada cascão pelo Planalto.
‘‘Nem tribunais de Contas, nem secretarias de controle. Nada é tão eficiente para o combate à corrupção como a transparência do gasto público’’, atesta Gil. ‘‘De fato, o denuncismo aumentou muito com a tecnologia, mas é o preço da democracia e vale a pena pagar’’, diz o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP).

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