Brasília A festa para comemorar o pagamento antecipado da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional foi marcada por um sermão econômico no qual o antigo financiador, e agora ''parceiro'', apresentou suas receitas. Na avaliação do diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, apesar dos avanços obtidos pela economia brasileira nos últimos anos, o país não está aproveitando todo o seu potencial de crescimento.
''O crescimento econômico brasileiro está acelerando e entrando numa fase de crescimento em torno de 4%, o que é importante. Mas o Brasil deve ter objetivos mais ambiciosos a médio prazo'', discursou. Para o espanhol, o país ainda ''não explorou totalmente seu potencial'' para atrair investimentos, mesmo tendo recebido nos últimos anos ''grande volume de investimento privado''.
O modelo sugerido para os próximos anos é o mesmo aplicado desde o final de 1998, quando o país iniciou o ciclo de acordos financeiros com o FMI que acaba agora: melhoria do esforço fiscal para reduzir a dívida, mais liberdade orçamentária, autonomia do Banco Central, mudança nas leis trabalhistas e ampliação do mercado de crédito.
Ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, Rato fez um discurso mais longo do que o do presidente Luiz Inácio da Silva e o do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparentava mau humor na cerimônia ela é a principal crítica das políticas de Palocci no governo.
O Brasil antecipou o pagamento, no final do ano passado, dos US$ 15,6 bilhões que restavam do último acordo com o Fundo, com vencimento previsto para 2007. Rato defendeu mais aperto fiscal para reduzir a dívida pública dos atuais 51% do PIB para 40% em cinco anos garantindo, segundo ele, ganhos de crescimento , a flexibilização das leis trabalhistas e o fim das linhas de crédito controladas pelo governo medidas que, segundo o número um do FMI, levariam a economia brasileira a crescer mais.
No momento em que propôs autonomia do BC, medida que causa polêmica dentro do PT, Lula cochichou com Palocci, e os dois sorriram. O presidente do BC, Henrique Meirelles, ouviu tudo sem demonstrar reação. A gentileza de Rato, que veio ao Brasil especialmente para a cerimônia a convite do governo, foi retribuída com elogios do presidente e de Palocci.
''Ainda há vários desafios a vencer para que o país alcance seu vasto potencial de crescimento sustentado e atenda aos anseios de seu povo. O ritmo de crescimento melhorou recentemente, mas estou certo de que o Brasil pode ir ainda mais longe'', afirmou Rato, para quem o Brasil irá crescer, neste ano, ''a uma taxa robusta de cerca de 4%''. O número é inferior aos 5% prometidos por Palocci a Lula na última reunião ministerial de 2005.

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