Ratinho Jr. defende gestão moderna e corte de 'mordomias'
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terça-feira, 25 de setembro de 2018
Guilherme Marconi/Reportagem Local 
"Puxador" de votos desde os 21 anos, quando entrou na política ao ser eleito para a Assembleia Legislativa do Paraná, Ratinho Junior (PSD) foi o primeiro entre os dez candidatos ao governo a anunciar a pretensão de ocupar a cadeira no Palácio Iguaçu. Para impulsionar seu objetivo, foi alçado a secretário de Desenvolvimento Urbano ainda em 2013 na gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB), cargo que ocupou até o final de 2017, quando pôde viajar por todo o Estado e estreitar laços com prefeitos.

O deputado estadual licenciado passou por outros três partidos enquanto exerceu mandatos na AL e na Câmara dos Deputados. Agora, no PSD (Partido Social Democrático), formou uma coligação com nove legendas para atingir seu objetivo na campanha. Na entrevista a seguir, - a última da série da sabatinas da FOLHA com os candidatos ao governo do Paraná - diz que mesmo com a grande aliança pretende reduzir a máquina pública. Ele também minimiza os ataques de adversários que tentam ligar a imagem dele ao ex-governador tucano, investigado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal sob suspeita de corrupção.
O candidato do PSD defende uma licitação internacional para o pedágio em 2021, revisão tributária e promete uniformes escolares e parcerias público-privadas para construção de presídios. Desde a desistência de Osmar Dias (PDT) em concorrer ao governo, Ratinho Junior foi o maior beneficiado e tem liderado as pesquisas de intenção de voto desde o início da campanha.
O candidato também deixou uma mensagem aos leitores da FOLHA:
REAJUSTE DOS SERVIDORES
O governo Cida Borghetti (PP) enviou à Assembleia proposta de 1% de reajuste dos servidores, mas a matéria foi rejeitada com ajuda da bancada dominada por Ratinho Jr. às vésperas do período eleitoral. O candidato não precisa números, mas alega que estará aberto ao diálogo para um planejamento visando os próximos anos. "É preciso traçar perspectivas em relação ao crescimento do País e da inflação. Ou seja, o que impacta na arrecadação do Estado e o que pode ser repassado ao servidor, tudo de uma maneira franca, fazendo um planejamento de quatro anos, sem ser preciso ficar parando todo ano. Isso é ruim para os servidores e para o governo, um gasto de energia."
MÁQUINA PÚBLICA
Ratinho Junior nega que a aliança formada com os nove partidos de sua coligação estaria ligada à promessas de cargos e secretarias em um eventual governo. "Nossa proposta é uma nova metodologia de trabalho. Política, é óbvio, vamos fazer com os partidos que estão aí. Eu não tive que dar secretaria para nenhum partido. Eles vieram em cima de uma proposta. Isso não quer dizer que não queira escolher um ou outro para ocupar um cargo. Agora, nossa proposta é cortar 50% o número de secretarias. Ao longo dos anos foram criando-se cargos para atender amigos, presidente de partido, parente, ex-vereador e isso foi inchando a máquina pública. Queremos acabar com as mordomias que ao longo de décadas foram acumulando. Chácara de governador, jatinho, aposentadoria, ilha pra atender essas regalias, ninguém aguenta mais bancar."
GOVERNO RICHA
Dono de umas das principais pastas do governo Richa, o candidato minimiza os ataques dos adversários na propaganda eleitoral por ter participado da última gestão, principalmente agora depois das últimas investigações ligadas ao ex-governador, que chegou a ser preso temporariamente pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) na Operação Radiopatrulha neste mês. "Eu fui secretário de Desenvolvimento Urbano, fiz um papel como ente público cumprindo uma missão. A indicação do meu nome foi feita pelos prefeitos do Paraná para que pudesse assumir esta pasta. Fiz 2.300 obras e entrega de maquinários maior da história. Isso tudo sem nenhuma obra investigada pelo Ministério Público ou pelo Tribunal de Contas. Eu cumpri meu serviço. Eu posso responder apenas pela minha pasta."
SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA
"Eu defendo construir de forma gradativa a gestão público-privada nesta área. Em outros países um preso custa US$ 1.0000 em média. Aqui no Parana a média é R$ 5.500 mil. O modelo brasileiro está errado. É um caixotão e se coloca 'os caras' lá dentro. Nós vamos fazer o preso trabalhar. Vamos criar um projeto de se fazer paver (um bloco de concreto utilizado para calçamento e pavimentação) para asfalto dos municípios. O município entra com o maquinário, o governo com os insumos e os presos com a mão de obra. Eles vão ajudar a melhorar também a acessibilidade, melhorando nossas calçadas e também as estradas rurais."
PEDÁGIO
Ratinho Junior defende uma licitação internacional. "Primeiro vamos convidar as maiores empresas do mundo de infraestrutura. Segundo, evitar esquema de combinação de empresas como a gente viu na Lava Jato. Você traz investimento do mundo todo. Serão duas exigências. Redução do preço entre 40 e 50% do que é pago hoje e assinatura do contrato que seria necessário para fazer as obras. Um erro do contrato atual, que depois de duas décadas ainda não há obras entregues. Nessa parceria colaríamos ainda a PR-323 (Maringá-Guaíra), a PR-092 (Jacarezinho-Jaguariaíva) e PR-380(Palmas-Curitiba). Vamos discutir a PR-445 até Mauá da Serra (duplicação), mas ainda precisamos saber de um modelo e fazer este estudo, mas acredito também na PPP (Parceria Público Privada) com pedágio ou não."

AUTONOMIA DAS UNIVERSIDADES
"Eu gosto da ideia da autonomia das universidades, mas gosto da autonomia financeira. A partir do momento que você dá autonomia para as universidades, elas vão ter que demostrar eficiência na gestão financeira, na gestão administrativa, pra não depender toda hora do Estado. Dá um furo no caixa, elas vão lá recorrer no governo. Se elas querem autonomia precisam ter compromisso com compliance, com meta de qualificação dos professores, queremos as universidades nos ajudando no desenvolvimento regional e social. Elas querem isso também. Mas queremos incentivar mais pesquisa aplicada do que pesquisa acadêmica."
AJUSTE FISCAL
O candidato é questionado se manteria o ajuste fiscal promovido por Richa e considerado pelo tucano como um dos maiores "legados" da última gestão. "Foi importante naquele momento porque o País estava numa crise profunda na recessão, que é a maior da historia. Se não fizesse aquilo estaríamos na mesma situação do Rio de Janeiro. Mas agora temos que fazer a modernização para alguns setores, estamos perdendo espaço para Santa Catarina e penalizando o pequeno e médio empresário. Vamos implantar projetos da redução tributária de 90 mil itens de bens de consumo de vestuário e alimento que não impactam na arrecadação e vamos implantar para chegar a um preço menor ao nosso consumidor."
RELACIONAMENTO COM ASSEMBLEIA
"Acho que a Acil (Associação Comercial de Londrina) está certa em prestigiar as lideranças da região. Isso que está sendo discutido em algum momento na reforma política, que é o voto distrital, porque não fica aquele deputado paraquedista que pede voto aqui e não vota nunca mais. Nós temos um bom relacionamento com Assembleia do Paraná e não vejo problema de construir isso não."



