Governador vive clima de lua-de-mel com Legislativo: oposição prevê momento crítico em discussões sobre reajuste do funcionalismo e PPPs
Governador vive clima de lua-de-mel com Legislativo: oposição prevê momento crítico em discussões sobre reajuste do funcionalismo e PPPs | Foto: Arnaldo Alves/ANPr

Curitiba - Ao contrário do que ocorre em âmbito federal, o governo Ratinho Junior (PSD) completa 100 dias nessa quarta-feira (10) ainda em lua de mel com a AL (Assembleia Legislativa) do Paraná e a população do Estado. Mais bem avaliado do que o presidente Jair Bolsonaro (PSL), seu aliado político, o governador não tem enfrentado dificuldades de articulação.

As poucas polêmicas dizem respeito à proposta de reforma administrativa, apresentada após estudo da Fundação Dom Cabral. Apesar do “enxugamento da máquina” ser uma das promessas de campanha do governador, há dúvidas quanto à economia que o corte de secretarias trará efetivamente aos cofres públicos. A mensagem já passou pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e deve ser votada em plenário nos próximos dias. O governo também aposta na aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prevê o fim do pagamento da aposentadoria a ex-governadores.

"Está tudo tranquilo. Não teve nenhuma pauta bomba até agora. Os primeiros movimentos mais complexos vão acontecer com a data-base [dos servidores públicos estaduais]. O governador está estudando, avaliando as possibilidades. A relação com o Legislativo é boa, o governo tem tomado medidas importantes no sentido de demonstrar que quer economizar", avalia o líder da situação, Hussein Bakri (PSD).

"Está tudo no seu tempo. Estamos com três meses e o governo está com o mandato inteiro pela frente. As pesquisas demonstram que a população está aceitando esse jeito de governar. O processo é natural. [Logo] vem a montagem da base de deputados aqui na Assembleia, que vai ficar mais forte, a indicação dos prefeitos, enfim, vem um processo mais político de relação com a Casa", completa.

Hoje, dos 54 deputados estaduais, apenas seis se declaram como de oposição - os quatro do PT e dois do MDB. Os demais ou compõem a bancada governista ou se colocam como independentes.

O presidente do Parlamento, Ademar Traiano (PSDB), diz que não pode se queixar do relacionamento com o governo. "Tenho portas abertas, tenho uma relação pessoal com o governador Ratinho e com todo o secretariado. Não podemos atropelar. Temos de dar tempo ao tempo".

Segundo o tucano, o governo está numa fase de estruturação, "com os projetos das secretarias e a reforma discutida aqui na Assembleia". "Acredito que um governo para começar a deslanchar só a partir do segundo semestre", comenta.

OPOSIÇÃO

Para o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), o período também ainda é de definições. "Os governadores dos estados hoje estão envolvidos com crises econômicas muito fortes e acabam sendo poupados. [Ratinho] ainda não iniciou seu período de críticas públicas. Isso deve acontecer nos próximos meses".

O petista lembra que, no segundo semestre, o chefe do Executivo estadual precisará se posicionar a respeito de questões como o reajuste do funcionalismo e as PPPs (parcerias público-privadas).

"Outro debate muito intenso que teremos é o da venda dos ativos da Copel Telecom. [Tem] também o processo de reconstrução das escolas e rodovias, que estão se deteriorando muito rapidamente. E, até por ser aliado do Bolsonaro, nos debates mais contundentes sobre a reforma da previdência ele terá de se manifestar. O que me parece é que a conta política vai chegar", opina.

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