O governo federal deverá recorrer também a uma checagem da movimentação das contas CC-5, instrumento legal para o envio de recursos ao exterior, a fim de rastrear o dinheiro desviado da obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo. A Advocacia-Geral da União (AGU) acertou com a Receita Federal e com o Banco Central a troca de informações fiscais e bancárias do ex-presidente do TRT de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, com o escritório de advocacia norte-americano Arnold and Porter, contratado pelo Palácio do Planalto para localizar e repatriar o dinheiro.
‘‘Nós vamos tomar a dianteira deste processo para evitar que esses recursos sejam malbaratados’’, afirmou ontem o advogado-geral da União, Gilmar Ferreira Mendes. Ele frisou que o governo fará todos os esforços para reaver, ao menos em parte, os R$ 169,5 milhões desviados do TRT, cuja obra está inacabada, obedecendo determinação expressa de FHC.
Mendes descartou, entretanto, que as cobranças do presidente sejam uma reação ao cerco que se fechou em torno do Palácio do Planalto na última semana, após a divulgação de projeto de lei assinado pelo presidente autorizando a liberação de créditos suplementares para a obra em 1996, período em que já havia suspeita de irregularidades na obra.
O esquema liderado por Santos Neto esbarrara no governo, quando o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge, homem forte do primeiro mandato de FHC, declarou ter mantido contatos institucionais com o juiz. (A.E.)

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