Curitiba - O policial civil Délcio Augusto Rasera se apresentou ontem à Justiça de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, depois de ter sido libertado equivocadamente na última sexta-feira. Acusado de comandar um esquema de escutas telefônicas clandestinas, Rasera tinha um mandado de prisão preventiva contra ele expedido pela Vara Criminal do município. Mesmo assim, havia sido solto após receber alvará da 5 Vara Criminal da capital, onde responde a outro processo, por posse ilegal de armas. Agora, o policial volta para a carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), onde ficará preso enquanto seus advogados tentam um habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Depois de quase seis dias em liberdade, Rasera compareceu ao fórum de Campo Largo por volta das 17 horas de ontem. Acompanhado de seu advogado, Luiz Fernando Comegno, o policial se apresentou ao juiz Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, responsável pelo processo dos grampos telefônicos. Cerca de uma hora depois, ele deu entrada na carceragem da DFRV, em Curitiba.
A libertação de Délcio Rasera há uma semana causou um mal-estar no Judiciário paranaense. Ele não poderia ter sido liberado somente com o alvará da 5 Vara, já que na outra ação ainda estava em vigor um mandado de prisão preventiva. O erro aconteceu porque a Vara Criminal de Campo Largo não enviou o mandado à Vara de Execuções Penais (VEP), órgão responsável por cadastrar todos os pedidos de prisão e soltura no Estado. Ao analisar o alvará que permitia a libertação de Rasera, a VEP não encontrou nenhum outro mandado de prisão contra o policial e autorizou que ele deixasse a cadeia.
Para o advogado Luiz Fernando Comegno, Rasera não teve culpa alguma neste caso. ''Ele foi colocado na rua por uma falha no sistema do Judiciário e acabou pagando o pato'', afirmou. ''Ele foi despejado pelo oficial de Justiça e não poderia invadir a delegacia depois dizendo que deveria ficar lá.''
Segundo Comegno, causou até estranheza o fato de o oficial de Justiça e os policiais da DFRV não terem se dado conta de que Rasera tinha outro mandado de prisão contra ele. ''Fui a Brasília na semana passada justamente para tentar um habeas corpus nesse processo que corre em Campo Largo'', disse. O pedido de habeas corpus ainda não foi julgado pelo STJ.

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