Curitiba - A Câmara Especial do Tribunal de Justiça do Paraná deve julgar na próxima segunda-feira o mérito do pedido de habeas corpus para o policial civil Délcio Rasera. O pedido de liminar já havia sido negado pela Justiça anteriormente. O policial, que está preso há quase dois meses por denúncia de liderar uma quadrilha de escuta telefônica ilegal, foi ouvido pela Justiça de Campo Largo na quarta-feira.
De acordo com o advogado de defesa de Rasera, Luiz Fernando Comegno, que também foi denunciado pelo Ministério Público (MP) estadual, o policial negou que fizesse escutas ilegais e argumentou que terceirizava serviços de varreduras em linhas para verificar a existência de grampos para empresas e para particulares. Rasera disse que repassava o serviço de varredura para os técnicos Juraci Pereira de Macedo e Isaque Pereira da Silva.
Porém, os dois técnicos confirmaram em depoimento ao juiz Gaspar Luiz de Mattos Araújo Filho o que já haviam afirmado à Promotoria de Investigação Criminal (PIC). Eles argumentaram que faziam serviço de grampo e de varredura a mando de Rasera. Comegno alega que os dois não apresentaram provas e nem detalhes dos grampos.
Ainda de acordo com o advogado, Rasera alegou em juízo que mantinha somente relações profissionais com o governador Roberto Requião (PMDB). Rasera afirmou que trabalhava na Casa Civil do governo do Estado, investigando indícios de fraudes. E que um de seus trabalhos evitou que a Sanepar tivesse um prejuízo de R$ 20 milhões. O policial negou ter feito qualquer serviço telefônico a pedido do governo.
Os depoimentos de outros denunciados pelo MP, incluindo a mulher e os dois filhos de Rasera, estão marcados para a tarde da próxima segunda-feira. A defesa do policial terá três dias, a partir de segunda, para apresentar a defesa preliminar contra as acusações.

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