Curitiba - O policial civil Délcio Augusto Rasera afirmou ontem durante depoimento à CPI do Grampo, na Assembléia Legislativa, que teria sido preso para prejudicar a candidatura do governador reeleito, Roberto Requião (PMDB). Rasera também apontou supostos erros cometidos pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) do Estado e responsável pela ação que resultou na prisão do policial civil, há mais de três meses. ''Eles estavam a serviço dos adversários do Requião'', disse Rasera.
Segundo ele, seu mandado de prisão preventiva foi obtido no dia 28 de agosto, mas ele foi preso somente no dia 5 de setembro, ''um dia após Requião ter se licenciado do cargo para se dedicar à campanha eleitoral''. Rasera explica que quanto mais perto do primeiro turno do pleito (1º de outubro), mais o fato poderia ''contribuir para a derrota do governador nas eleições''. Rasera foi denunciado pelo MP, na Vara Criminal de Campo Largo, por comandar uma suposta quadrilha de grampos telefônicos ilegais.
Rasera confirmou que foi designado para trabalhar na Casa Civil, na assessoria especial do governo do Estado, em janeiro de 2003, logo que Requião assumiu, mas que cumpria apenas funções administrativas. ''Eu era atendente'', disse ele. Sobre a ação da PIC, Rasera disse que os promotores ''arrombaram'' dois locais de sua propriedade sem autorização e sem a presença de oficiais de justiça. Também teriam levado os registros das armas que guardava, documentação que a PIC alega não existir. Ele afirma que é colecionador e que integrava um clube esportivo de tiro. Também defende que parte das armas estava de fato sem registro, mas que elas poderiam ter sido regularizadas até julho de 2007. Apenas uma ''pequena arma de adorno'', segundo ele, não estaria de fato registrada.
Ele também disse que convocaram policiais militares que não acompanharam a busca para serem condutores do flagrante de posse ilegal de armas. Ele também acusa os promotores de terem colocado granada, um silenciador e armas adulteradas na sua casa. Rasera foi denunciado na 5 Vara Criminal de Curitiba por posse ilegal de armas (incluindo armas de uso restrito do Exército e armas adulteradas).
Ele questionou ainda o fato de ter sido denunciado em duas varas diferentes. ''Foi para eu ter dois problemas'', disse ele. Em entrevistas já concedidas, Kessler explicou que se investigava em Campo Largo uma quadrilha ligada a empresas de telefonia quando se chegou a Rasera, que pertenceria a outro esquema. Os casos, porém, teriam que ser denunciados ao mesmo juiz, preferencialmente, segundo o coordenador. ''Kessler preferiu desmembrar o processo porque 'pegou' o assessor do Requião, mas fez a denúncia em Campo Largo apesar dos meus escritórios e da minha casa ficarem em Curitiba. Por quê?'', questionou o policial.
Rasera disse também que existem ''questões pessoais'' por trás de sua prisão. Ele mencionou que um desembargador da família Kessler é amigo do juiz da Vara Criminal de Campo Largo, Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho. O policial disse ainda que poderia provar através de fotos e filmagens o estado da sua casa após a ação da PIC. ''Quebraram as janelas. Ficaram dois dias na minha casa bebendo uísque, cerveja, comendo meu queijo, meu salame. Se 'banquetearam' na minha casa'', acusou.

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