Curitiba - O policial civil Délcio Augusto Rasera, durante depoimento ontem à tarde na 5 Vara Criminal de Curitiba, disse que a equipe da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) - órgão vinculado ao Ministério Público (MP) do Estado - não tinha ordem judicial para ''arrombar'' sua casa. A ação da PIC - cujo objetivo era desarticular uma suposta quadrilha de interceptações telefônicas clandestinas comandada por Rasera - foi realizada no dia 5 de setembro. Nas buscas e apreensões, na casa de Rasera e também nos escritórios onde ele supostamente oferecia os serviços de grampo a ''clientes'', os promotores teriam recolhido aparelhos de escuta, fitas, armas e documentos. O material foi usado para dar base à denúncia de suposto esquema de grampos feita pelo MP contra Rasera e outras 19 pessoas na Vara Criminal de Campo Largo, onde o caso corre em segredo de justiça. À 5 Vara Criminal de Curitiba, apenas Rasera chegou a ser denunciado pelo MP por posse ilegal de armas e munições, algumas de uso restrito.
De acordo com o advogado de Rasera, Luiz Fernando Comegno, o MP tinha ordem judicial apenas para apreender CD, DVD e documentação supostamente relacionados aos grampos. O advogado também afirma que os promotores teriam colocado na casa de Rasera, durante a ação, dois silenciadores e uma granada. E que uma arma pessoal do policial civil desapareceu do local. Entre os documentos levados pelos promotores, estariam comprovantes de registros das armas mantidas por Rasera. ''Fizeram festa na casa dele durante uns dois dias, usaram a churrasqueira, tomaram uísque, foi vandalismo'', afirma Comegno, acrescentando que irá apelar ''à Justiça até a última instância contra os abusos praticados pelos promotores''.
A assessoria de imprensa do MP divulgou, através de uma nota, que o órgão ''tem convicção de que agiu dentro da estrita legalidade, acompanhando o cumprimento por oficiais de justiça e equipes especializadas da Polícia Militar, nos mandados de busca e apreensão''. E que ''as alegações para tentar desqualificar o trabalho do MP são comuns no exercício do direito de defesa de acusados de crimes graves, como aqueles imputados ao policial civil''.
Rasera também teria alegado ao juiz que a ação do MP ''teve cunho político''. Rasera estava cedido à Casa Civil, do governo do Estado, quando foi preso pela PIC. No período eleitoral, a oposição ao então candidato à reeleição governador Roberto Requião (PMDB), tentou ligar Rasera ao peemedebista. Recentemente, o governo do Estado determinou que o imóvel onde está instalada a sede da PIC em Curitiba, cedido pelo Estado em 2001, fosse devolvido ao Executivo.
No depoimento, Rasera negou que esteja à frente de um esquema de grampos e defendeu que realizava somente serviços de varredura para descobrir se a linha telefônica estava grampeada.

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