Brasília - A deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) repetiu ontem que o líder do PL na Câmara, Sandro Mabel (GO), lhe ofereceu R$ 1 milhão mais uma mesada de R$ 30 mil para mudar de partido, durante a acareação deles no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Mabel disse, novamente, que nunca ofereceu dinheiro a Raquel para que ela trocasse o PSDB pelo PL. ''Os dois foram convincentes. Esse é o problema da acareação'', constatou, desolado, o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Ricardo Izar (PTB-SP).
A sessão foi secreta. Izar justificou a medida como forma de evitar exibicionismos e a repetição do que ocorreu na acareação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos entre cinco suspeitos, em que todos se xingaram de ''bandidos''. Ao deixar o plenário do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, depois de cinco horas de confronto, Mabel não poupou Raquel: ''Ela é mentirosa e oportunista. Não tem nenhuma prova contra mim'', atacou. O líder do PL na Câmara disse que a deputada do PSDB de Goiás quer ser candidata a governadora. Por isso, para abrir espaços no partido, teria resolvido atacá-lo.
Raquel Teixeira chamou Mabel de mentiroso. ''O Sandro mente. Ele tem três versões diferentes para o convite que me fez: primeiro; diz que estava atrás de uma educadora com meu perfil; depois, diz que me convidou a pedido do vice-presidente José Alencar; fala ainda que eu estava sem espaço no PSDB e pedi para ser convidada.'' O certo, disse Raquel, é que Mabel lhe ofereceu dinheiro para mudar de legenda. ''Há um ano e meio, falei da oferta dos R$ 30 mil ao governador (Marconi Perillo); um ano e meio depois, Roberto Jefferson (ex-deputado do PTB do Rio) denunciou o 'mensalão', e disse que era de R$ 30 mil.''
O processo por quebra de decoro parlamentar contra o líder do PL deverá ser concluído até o fim da próxima semana, disse o relator, Benedito de Lira (PP-AL). Lira e outros parlamentares insistiram no enfrentamento porque havia a palavra de Raquel contra a de Mabel. Mas, depois de ouvir os dois por cinco horas, os deputados do Conselho de Ética continuavam a dizer que a situação não tinha mudado.
Na defesa, Mabel disse que tem uma declaração de Perillo de que não tinha tentado ''comprar'' Raquel e que ela compareceu à festa de posse dele como líder do PL, depois da data em que, supostamente, teria ofertado dinheiro a ela.
''Alguém vai à festa do corruptor?'' indagou o líder. Raquel respondeu: ''Fui à festa dele porque ele me convidou. Fiquei pouco tempo. O governador também foi. Cumpri um compromisso partidário. Em política, muitas vezes, não temos como escolher nossas companhias. PL e PSDB são da base do governo em Goiás.''

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