Ramos tem conta milionária em NY
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de março de 1997
Agência Estado 
De Brasília
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos já sabe que Wagner Baptista Ramos, ex-diretor da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, tem uma conta bancária em Nova York, com depósitos superiores a US$ 1 milhão. É uma conta alta, de mais de US$ 1 milhão, disse o senador Romeu Tuma (PFL-SP), designado pelo presidente da CPI, Bernardo Cabral (PFL-AM), para acompanhar os trabalhos de investigação nos Estados Unidos.
A conta de Wagner Ramos no Exterior foi descoberta pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). De acordo com um assessor de Antônio Carlos, uma pessoa muito amiga soube da conta de Ramos e comunicou o fato ao presidente do Senado. Os senadores da CPI acham que a pessoa amiga é o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Paulo Tarso Flecha de Lima.
Quero comunicar que o presidente do Senado, em comum acordo com o presidente da CPI, autorizou-me a divulgar que foi descoberto depósito bancário no exterior, afirmou Bernardo Cabral ontem, ao abrir os trabalhos de uma sessão interna da comissão.
A presidência da CPI vai encaminhar ao Ministério da Justiça carta rogatória com pedido de que seja solicitada à Justiça dos Estados Unidos o bloqueio e confisco dos valores lá depositados por Wagner Ramos. Será um processo idêntico ao da advogada Georgina Fernandes, fraudadora do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que foi condenada pela Justiça norte-americana a devolver os valores roubados no Brasil, explicou o senador Bernardo Cabral.
O presidente da CPI afirmou ainda que a divulgação da existência de conta bancária de Wagner Ramos no exterior em nada vai atrapalhar os trabalhos de investigação. Se ele (Ramos) tomar alguma medida haverá muita implicância para o lado dele, disse Cabral. Isto significa que Wagner Ramos já foi avisado de que a CPI sabe os valores depositados na conta e que a Justiça dos Estados Unidos está informada, mesmo que em caráter não oficial, da origem do dinheiro.
Desconfia-se que esta é a conta bancária matriz de Wagner Ramos, de onde saem os depósitos para outros bancos e contas, como a de Miami, descoberta anteriormente, e na qual estariam aplicados US$ 1,6 milhão. Reforça-se, a cada momento, a certeza de que Ramos, tido como o cérebro de todas as operações irregulares com a emissão de títulos públicos, é o dono da Corretora Perfil. Ele disse na CPI que tinha recebido apenas R$ 150 mil por todas as assessorias que fez a governadores e prefeitos.
Ramos deverá ser ouvido novamente pela CPI dos Títulos Públicos. Os senadores estão juntando mais documentos sobre a atuação dele no escândalo da emissão dos títulos públicos. A CPI sabe que em todos os locais que obtiveram permissão para emitir os títulos ficou marcada a presença de Ramos, especialista no assunto precatórios.


