O secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, é um dos integrantes da equipe do governador Jaime Lerner a deixar o cargo até 31 de dezembro. Ele pode sair antes dessa data, caso o governador decida apressar a escolha do substituto. ‘‘Não permaneço na próxima equipe’’, antecipou ontem o secretário à Folha.
Wahrhaftig garantiu que sua vontade de não pleitear a manutenção do cargo no segundo mandato de Lerner nada tem a ver com a pressão da APP-Sindicato, entidade que lidera a categoria dos professores estaduais, apesar de admitir boa dose de ‘‘mágoa’’ por atitudes consideradas políticas da entidade, que ‘‘quebrou compromissos’’, levando governo e categoria ao rompimento do diálogo.
‘‘Minha saída é uma decisão formal que já comuniquei ao governador há três semanas’’, garantiu Wahrhaftig. ‘‘Daqui para a frente, continuo no cargo até quando ele (Lerner) quiser, desde que até 31 de dezembro’’, emendou. Conforme o secretário, ‘‘falta fechar a conversa’’ com Lerner, mas que o governador vai acatar seu desligamento. Saindo do governo, Wahrhaftig vai remotar suas atividades de pró-reitor de Pós Graduação e Pesquisa na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), que ocupava até o final de 94 até integrar o primeiro escalão de Lerner.
O secretário da Educação diz que não sai frustrado da função porque conseguiu implementar pelo menos 70% das propostas previstas para este governo, mas admite que a função submete o comandante a um grau elevado de desgaste pessoal e profissional. ‘‘Em piores condições acho que só fica a Secretaria da Segurança’’, comparou.
Ele disse saber antecipadamente, quando assumiu, que a Educação seria uma área de desgaste e, em consequência, precisa ‘‘de continuidade, mas não de continuísmo’’. ‘‘Tanto é que nos últimos 51 anos, a Educação teve 30 secretários, e cada um ficou no cargo, na média, um ano e oito meses. Completando quatro anos, terei o segundo em permanência. Mais do que eu só a Gilda Poli, secretária durante todo o governo Richa e mais dois anos na gestão de Álvaro Dias’’, rememorou.
O primeiro sinal de que deixaria o governo, Ramiro Wahrhaftig deu numa reunião ao meio-dia de ontem, numa reunião no Palácio Iguaçu, com deputados de situação e oposição e líderes da APP-Sindicato, da qual participou também o secretário de Governo, Cid Campêlo Filho. ‘‘Só quero deixar claro que não estou saindo porque eles (os líderes do movimento dos professores) andaram pedindo a minha cabeça, como na semana passada’’, tratou de esclarecer.
Neste período, Wahrhaftig travou três grandes quedas-de-braço com a APP-Sindicato. A primeira foi a criação da Paranaeducação - um braço auxiliar na contratação de profissionais - apontada pelos professores como o começo da privatização do ensino. A segunda foi a suspensão da cobrança, via folha de pagamento, das contribuições da categoria repassadas à entidade, que garantem uma receita mensal de R$ 300 mil. A terceira divergência se trava na reforma do plano de carreira da categoria. As três questões ainda estão indefinidas. A APP diz que Wahrhaftig ‘‘não representa os interesses da educação e não tem a confiança da categoria’’, conforme o presidente da entidade, Romeu Gomes de Miranda.

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