O governador Jaime Lerner está procurando um candidato à presidência do PFL alternativo ao deputado federal Abelardo Lupion. As negociações estão adiantadas e vêm sendo conduzidas pelo secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas. O governador não quer ficar refém de Lupion, com quem tem um relacionamento meramente diplomático, no diretório.
Um dos nomes de preferência de Lerner é o do ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz. Amigo pessoal do governador, Raiz é um de seus principais aliados no partido. A estratégia do governador põe em xeque o acordo político selado no último domingo entre Lupion e o atual presidente do PFL, o empresário José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, de Lupion como candidato único.
A decisão de Lerner, de rever o acordo, movimentou o PFL ontem. Os líderes das bancadas estadual e federal, Plauto Miró Guimarães e Joaquim dos Santos Filho, respectivamente, passaram parte da tarde conversando com o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury. O secretário geral, Gilberto Carvalho, concluiu ontem o edital convocando os filiados para convenção do dia 10.
Além de tirar Lupion do processo sucessório de Carvalhinho, que desistiu oficialmente de candidatar-se à reeleição, o governador do Paraná quer rever os critérios para a formação do diretório. Pelo critério acertado na conversa com Tato Taborda, cada um dos 21 deputados teria direito a indicar três representantes, isto é, 63 dos 71 membros. Lerner ficaria com os oito restantes.
O governador quer inverter as posições e ficar com o poder de indicar 20 dos 71 integrantes. Lerner estaria disposto ainda a pleitear cinco indicações para Saul Raiz e outras dez para o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. Somando, os três indicariam 35 nomes, ficando com um poder consolidado no diretório. As 36 vagas, para completar o diretório, seriam rateadas entre os parlamentares.
O Palácio Iguaçu não descarta a possibilidade de um bate-chapa, caso as lideranças aliadas a Lerner fracassem no processo que tenta demover Lupion da presidência do partido. Na bancada federal o clima é de que o processo está apenas começando e que obrigatoriamente passaria por entendimentos com o próprio Lupion, Luciano Pizzatto, Werner Wanderer, Joaquim dos Santos Filho, Elio Rush, Plauto Miró e Basílio Zanusso que, juntos, dizem exercer domínio sobre a maioria dos delegados.
A presença do presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, que está desde ontem no Paraná, pode acelerar o processo de discussões internas. Bornhausen passa a manhã em Cascavel, acompanhando a visita do presidente Fernando Henrique à inauguração de Salto Caxias. À tarde, tem audiência com o diretório, às 15 horas. E reuniões com Khury e com Cássio Taniguchi.
Bornhausen não deverá ser consultado apenas sobre a possibilidade da acomodação de Carvalhinho na executiva nacional como também sobre a nova estratégia do governador do Paraná, de mexer nas posições. Bornhausen fica em Curitiba até domingo. Ele veio ao Paraná para resolver problemas de ordem pessoal e para um casamento de um amigo antigo.

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