Rainha vai deixar Pontal para atuar no Nordeste
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaNova frenteJosé Rainha, líder sem-terra: Minha missão no Pontal do Paranapanema está cumpridaO principal líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Junior, anunciou ontem, em Teodoro Sampaio, que pretende deixar a região e atuar no Nordeste. Minha missão no Pontal está cumprida, justificou Rainha. Em março ele viaja para o Ceará, onde ficará duas semanas mantendo contatos com as bases do MST e depois planeja alternar períodos de 15 dias entre o Pontal e os estados nordestinos. No Pontal, segundo Rainha, o período de confronto com fazendeiros praticamente terminou.
O líder informou que ainda em 97 expôs sua posição à direção nacional do MST, que não teria colocado obstáculos. O problema maior está em convencer as direções estadual e regional, que não concordam com meu afastamento, disse. Por este motivo, Rainha não pretende se mudar imediatamente. Ele admite que sonha em morar no sul do Pará, mas disse que vai continuar vivendo na casa que comprou das Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), em Teodoro Sampaio. Durante um ano pretende viajar constantemente ao nordeste, para depois tomar uma decisão definitiva.
Rainha admitiu que a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do governo de São Paulo na obtenção de terras destinadas à reforma agrária no Pontal vem atendendo às reivindicações do MST. Ele previu que a partir de agora as ocupações de fazendas serão feitas de comum acordo com os fazendeiros, como forma de pressão para acelerar o processo de desapropriação.
Este processo já está em andamento na região, disse. O trabalho do MST está voltado para as 42 fazendas declaradas improdutivas pelo Incra na região e cujos proprietários já estão convencidos de que terão as terras desapropriadas. Estamos sendo procurados por muitos fazendeiros interessados em negociar as fazendas, evitando a desapropriação que pode tornar muito lento o processo de indenização, disse. Segundo ele, o período do confronto praticamente terminou.
As últimas seis invasões feitas pelo MST na região, segundo Rainha, tinham conhecimento prévio dos fazendeiros que deixaram de impetrar mandados de reintegração de posse na Justiça. O único caso em que o fazendeiro reagiu foi o da fazenda Santa Zélia, em Teodoro Sampaio, onde os proprietários obtiveram na Justiça mandado de reintegração de posse, cumprido ontem. O líder explicou que havia conversado com um dos proprietários da área e estranhou sua decisão de recorrer à Justiça. Agora não existe mais acordo, pois vamos voltar a ocupar a fazenda e exigir do Incra que acelere a desapropriação da área, disse.


