O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, autorizou a empresa Sesal Comunicação e Informática, que pertencia ao irmão da vice-governadora Emília Belinati (PTB), a explorar a concessão de duas rádios AM, uma em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e outra em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa). O despacho foi publicado no ''Diário Oficial da União'', no dia 21 de agosto. A Sesal pertencia a Sebastião Sales Júnior, mas foi vendida para o empresário do setor de comunicação Luiz Mussi, de Curitiba, em meados do ano passado.

Cunhado do prefeito cassado Antonio Belinati, de Londrina, Sebastião Sales, de 28 anos, mora em Londrina, não é do ramo das comunicações, mas havia montado a empresa especialmente para disputar concessões de rádio AM e FM e TV. Ele tinha 99% do controle acionário, enquanto o outro 1% era do sócio Mário Mitsuo Kikuthi. Fundada em 1995, a Sesal tinha capital social de R$ 100 mil, conforme dados da Junta Comercial.

No ano passado, a Sesal havia entregue documentos para disputar concessões de rádios FM nos municípios de Arapongas, Cambém e Maringá; rádios AM em Sarandi, Cambém e Telêmaco Borba, além do Canal 29 UHF, em Curitiba.

Apesar de disputar a concessão de rádios, a Sesal era praticamente uma empresa fantasma. Sua sede, que ficava na Rua João Pessoa, 90, centro de Londrina, estava fechada há dois anos. No ano passado, quando a Folha tornou pública a intenção da família Belinati de assumir novas rádios e TVs no Estado, o então prefeito de Londrina disse desconhecer os negócios do cunhado. A vice-governadora também afirmou não ter conhecimento e se disse surpresa na época, com a notícia da concorrência pública de rádios.

Os negócios da Sesal e a intenção de administrar veículos de comunicação chegaram a ser investigados pelo Ministério Público de Londrina. O pedido foi feito pelo Movimento pela Moralização na Administração Pública da cidade. Sebastião Sales trabalhou no Conselho de Administração da antiga Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), hoje Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) quando Belinati era prefeito.

Segundo Mussi, a Sesal foi vendida porque os sócios da empresa entenderam que não teriam condições de tocar uma rádio por não serem da área. O investimento teria de ser em torno de R$ 500 mil para cada emissora. ''Fui eu quem insistiu para que eles vendessem. Eu quis comprar e por isso fui atrás deles'', declarou Mussi. O empresário, que hoje ocupa cargo executivo no Grupo Paulo Pimentel (televisão e jornais), não quis informar quanto pagou pela Sesal Comunicação e Informática.

A Folha não conseguiu localizar Sebastião para falar sobre seus negócios com comunicação. No apartamento da vice-governadora, em Curitiba, foi dada a informação de que não se sabia o telefone dele. A reportagem também procurou o cunhado de Belinati em Londrina, mas ele não foi encontrado.

Apesar da autorização dada pelo Ministério das Comunicações, a concessão das novas rádios e TVs só se viabiliza com a aprovação do Congresso. A concessão vale por um período de três anos e não há o direito de exclusividade.

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