Rádio do Banestado terá perícia
O delegado Vinicius Augusto de Carvalho, que preside o inquérito que apura responsabilidade pela instalação do radiotransmissor encontrado sob a mesa da sala da diretoria do Banestado no bairro Santa Cândida, em Curitiba, remeteu ontem o equipamento para perícia do Instituto de Criminalística.
No início da próxima semana, Carvalho pretende ir até o Banco para fazer um exame de local. Vamos a campo para recolher mais subsídios, explicou. É que os depoimentos, segundo o delegado, quase não acrescentaram novidades ao inquérito.
Anteontem, Carvalho ouviu o presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid, o Neco Garcia, mas, segundo o delegado, não houve novas informações no depoimento em relação ao que o presidente do Banco já havia declarado à imprensa. Ele nos disse que estava desconfiado de alguma coisa porque as informações vazavam com facilidade, mas não falou que tipo de informações eram essas porque são sigilosas. Na semana passada, o delegado ouviu três pessoas - dois técnicos que localizaram o equipamento e uma secretária.
Carvalho admitiu que a demora do Banestado em recorrer à Polícia está dificultando a investigação. Se tivéssemos no caso desde o início seria mais fácil localizar o autor. É como você encontrar um corpo na beira rio depois de 20 dias, em estado putrefação, comparou. O grampo, segundo a presidência, foi localizado no dia 9 de novembro, mas o Banestado não avisou a secretaria de Segurança Pública, como seria de praxe. A assessoria jurídica do Banco preferiu pedir à Polícia Federal a abertura de inquérito, mas a PF entendeu que o caso não era de sua competência e remeteu-o à Polícia Civil. O inquérito só foi instaurado no dia 20.
O delegado acredita, porém, que a localização do grampo serviu para a retirada de outros equipamentos que pudessem estar instalados no Banestado. De acordo com um dos técnicos que encontrou o rádio, ele funcionava a pilha e podia transmitir em Frequência Modulada (FM), em 99,7 MHz. De acordo com o técnico, a transmissão era restrita e limitava-se a um raio de 50 a 100 metros. (P.Z)





