São Paulo- A queda-de-braço dentro do PT será reforçada. Depois de dois dias de reunião no fim de semana, em São Paulo, cerca de cem dirigentes da Democracia Socialista - facção trotskista no guarda-chuva ideológico do partido - decidiram ''disputar'' os rumos da política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência se opõe ao caminho traçado pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, para superar a crise e, na tentativa de mudá-lo, quer envolver não apenas o PT, mas também os movimentos sociais.
''O duelo não é entre radicais livres e radicais prisioneiros do mercado'', afirmou a senadora Heloísa Helena (PT-AL). ''As personalidades da chamada maioria partidária têm de deixar de lado a arrogância e parar de achar que qualquer pessoa que faz crítica quer desestabilizar o governo.''
Para a senadora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve compreender que a crítica é ''construtiva''. ''Quem tem a coragem de fazê-la, no auge da sua popularidade, são seus aliados históricos, e não os neopetistas'', disse.
Alvos - São inúmeros os pontos de divergência entre os radicais - com variação de tom dependendo da corrente - e o grupo moderado, que detém a hegemonia no governo e no partido. Do aumento das taxas de juros à elevação do superávit primário, passando pelo projeto de autonomia do Banco Central, vários são os alvos das estocadas. Mas a divisão se acentuou com a proposta de Lula para a reforma da Previdência.
''Se essa reforma da Previdência é a panacéia para resolver todos os problemas, já deveríamos tê-la aprovado no governo Fernando Henrique Cardoso'', argumentou Helena, acrescentando ter certeza de que, naquela época, o PT foi ''responsável e patriótico''.

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