Radialistas não querem sair do ar
Leandro Donatti
Curuitiba
Arquivo FolhaCoisa inútilRicardo Chab: É ledo engano pensar que no ar você faz votos Os candidatos-radialistas que estão olho na sucessão 98 já começaram um movimento para evitar sejam proibidos de usar os microfones nos 60 dias que antecedem às eleições. Liderado por Ricardo Chab (PTB), um grupo de deputados que busca a reeleição tenta driblar a legislação e acena para uma guerra jurídica. A idéia é conseguir na Justiça decisão que garanta a inamovibilidade aos candidatos e lideranças que usam rádio e tevê como palanques.
A dispensa dada ao presidente Fernando Henrique (PSDB) e aos governadores de Estado - que não precisam deixar os postos para concorrer - será a base da ação, avisa Chab, que também é jornalista e mantém programas diários no rádio e tevê. Chab analisa o assunto sob a ótica profissional. É ledo engano pensar que no ar você faz votos, avalia. Para ele, a decisão da Justiça Eleitoral traz até reflexos financeiros. Em 94, fiquei quatro meses sem receber, reclama.
O diretor da TV Bandeirantes, onde o deputado mantém programa, Adherbal Fortes, reforça a tese de Chab. Ele diz que irá contratar dois novos apresentadores no lugar. O Chab não fica fazendo política, porque eu nem permitiria, acentua. É óbvio que a exposição dele pura e simples lembra ao eleitor que ele, como deputado, existe, pondera. Mas pessoalmente sou contra a lei por entender que ela adota critérios que levam à desigualdade, emenda Fortes.
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O rádio e a tevê, entretando, já introduziram vários de seus profissionais na política do Paraná. É o caso do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), e do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB). Os dois protagonizaram no final da década de 60 o programa Aconteceu, veiculado em diversas cidades do interior. O deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti (PFL) também ficou conhecido até em cadeia nacional pelos programas policiais regados a sangue. Na mesma situação encontra-se Carlos Simões, do PTB, campeão no assistencialismo.
O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida teve de recorrer à mídia para não cair no ostracismo. O pré-candidato do PT ao governo tem cinco minutos diários na CNT (Central Nacional de Televisão), com geração para a região Norte. Ao contrário dos demais, Cheida é favorável ao afastamento temporário dos apresentadores que queiram disputar eleição. Ele promete entregar o Opinião de Cheida, que vai ao ar de segunda à sexta, em junho. É um cuidado que deve se ter para não haver desigualdades na disputa, defende.
Dois jovens deputados já perceberam que na mídia até milagres acontecem. Marquinhos Alves (PTB) tem baixos índices de frequência só na Assembléia Legislativa. O deputado é caxias quando o assunto é o Show do Marquinhos, apresentado diariamente pela rádio Atalaia, de Maringá. O filho do conselheiro Quielse Crisóstomo, do Tribunal de Contas, Cleiton Crisóstomo (PFL), decidiu investir sua cara de menino comportado nas telinhas. É âncora de programa de entrevistas, todo sábado, na TV Bandeirantes.
O vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio (PTB), e o deputado Luiz Carlos Martins (PFL) devem se somar ao grupo que articula a derrubada do dispositivo que os proíbe de ir ao ar durante o processo eleitoral. Túlio não gostaria de cortar seus vínculos com os ouvintes, mesmo por dois meses. Martins acha injusta a lei, mas tem consciência de que aventureiros de olho na urnas tentam se promover com os veículos.





