Radialista detido responde a inquérito por tráfico em 94
O radialista Edson Morais, 46 anos, de Cascavel, detido na noite de quarta-feira por suspeita de envolvimento com drogas, já responde a processo pelo mesmo motivo, resultante de acusação de que foi vítima em 1994. No dia 30 de agosto daquele ano, ele foi acusado por alguns rapazes de ter fornecido maconha a um grupo de adolescentes.
Na época, os três rapazes foram detidos por policiais militares com uma pequena quantidade de maconha. O diretor-geral da TV Tarobá, Jorge Guirado, lembrou que, em 94, a emissora estava reportando críticas severas e denúncias contra a atuação da PM e Morais já era apresentador de telejornais. Ele está convencido da inocência do funcionário e classificou o episódio de uma armação de alguns policiais, para atingir a emissora.
Um inquérito policial sobre o caso foi instaurado, que resultou em uma ação que tramita na 1ª Vara Criminal de Cascavel. O processo ainda está em fase de defesa e o advogado do radialista, Adelino Marcon, alega falta de materialidade para caracterização de crime de tráfico.
Segundo o diretor da TV, um dos rapazes disse posteriormente ter sido coagido por policiais a incriminar Morais. Guirado observou que na época diretores de outros órgãos de comunicação, que também publicavam matérias críticas, sofreram algum tipo de perseguição de policiais. Pouco tempo depois, o comando do 6º BPM acabou sendo substituído.
Na quarta-feira, um dia depois do radialista fazer críticas severas à atuação da cúpula da PC local que supostamente estaria engajada na campanha do candidato a prefeito Tiago de Amorim Novaes (PTB) um telefonema anônimo para o 6º BPM relatou que havia drogas em seu carro. No porta-malas, foram encontrados um pacote de maconha e outro de cocaína toalizando 430 gramas.
Como alguns órgãos de imprensa e profissionais de comunicação receberam telefonemas anônimos e informações diretas, com alguma antecedência, dando conta que haveria um flagrante contra o radialista, o caso passou a ser apontado como armação. A Secretaria de Segurança Pública designou um delegado especial, às pressas, para tomar depoimento de Morais. Ele foi liberado para responder o inquérito em liberdade. (P.P.)





