Radares não registram altíssima velocidade
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os equipamentos utilizados em geral para registro eletrônico de velocidade não registram veículos que transitam em altíssima velocidade. A informação é de um profissional de uma empresa fabricante de radares, que não quis se identificar. Ele informou à FOLHA que a velocidade limite do radar depende da tecnologia utilizada. Os nossos radares deixam de fazer o registro quando o veículo está acima de 180 km/h, mas há equipamento que já acima de 150 km/h não consegue capturar a imagem, contou.
A questão da velocidade limite dos radares veio à tona após o acidente que envolveu o deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) no último dia 7 e causou a morte de dois jovens. O veículo dirigido por Carli Filho, um Volkswagen Passat, não foi registrado por nenhum dos radares instalados na Rua Ivo Zanlorenzi nem na Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza.
Recebemos da Urbs (Urbanização de Curitiba) os registros entre 23 horas do dia 6 e 2 horas do dia 7, diz o promotor responsável pelo caso, Rodrigo Chemim Guimarães. O carro do deputado não foi detectado pelos equipamentos em nenhum momento. Segundo o promotor, os radares da Urbs registram todos os veículos que transitam pela via, mesmo que não estejam acima da velocidade permitida. Existe a hipótese de que o parlamentar tenha entrado na Rua Ivo Zanlorenzi depois da Rua Grã Nicco, onde está localizado o radar, adianta Chemim. Ele aguarda outros laudos técnicos para saber a que velocidade o deputado estava transitando no momento da batida já que outra hipótese é que os radares não tenham registrado o veículo.
Segundo a engenheira elétrica Silvia Galvão de Souza Cervantes, da Universidade Estadual de Londrina, existe a possibilidade de o equipamento não fazer o registro. A velocidade limite do radar depende de três fatores: da distância entre os sensores de solo, do software e da câmera, explica ela. Mas para saber qual seria essa velocidade limite teríamos que ter acesso à especificação do equipamento e da localização dos sensores, diz. Silvia disse não saber apontar uma velocidade limite possível para esse tipo de equipamento.
Todos os equipamentos de medição eletrônica de velocidade precisam ser homologados pelo Inmetro para serem utilizados, explica o coordenador da Unidade de Pesquisa, Estatísticas e Equipamentos de Trânsito da Diretran, Alvacir Gonçalves Mendes. Em Curitiba, diz Mendes, são 110 radares, todos homologados pelo Inmetro e submetidos anualmente a aferição. Segundo ele, a Diretran nunca registrou um veículo a mais de 200 km/h nos 110 radares instalados na cidade.


